Menu fechado

Qual é o meu lugar de fala?

Nobres leitores, estamos de casa nova! A nova plataforma é maravilhosa e eu confesso… tenho que me adaptar a ela. Mas isto ocorrerá de uma forma bem natural e intuitiva, característica marcante da plataforma. O bom disto, é que o assunto de hoje tem tudo a ver com isso… Nosso espaço de argumentação… Afinal, qual é o meu lugar de fala?

Mudanças… necessárias e inevitáveis

Mudanças são sempre necessárias. E na história aprendemos que as revoluções servem para modificar as permanências. Mas estudamos ambas, pois tudo o que permeia a humanidade é essencial para ela.

Mas, em um mundo em que alguns têm seu lugar de fala garantido – e só podem falar quando estiverem em seu lugar – surgem em mim uma dúvida: Qual é o meu lugar de fala?

Quando pego o ônibus, rotineiramente, me vem um pensamento bem interessante. O motorista, tem seu lugar de fala garantido, é a autoridade dentro do veículo. O que ele fala é a lei daquele momento, tanto é que nem se pode falar com ele durante o trajeto. Pois afinal, sem ele, não tem mais o transporte.

Já o cobrador – ou trocador em algumas regiões – quando presente nos ônibus, tem seu lugar  garantido. E sua fala também é autoridade… ainda mais quando manda que os passageiros se amontoem cada vez mais para entrar novos usuários.

Em um ônibus, motorista e cobrador têm seu lugar de fala garantido... e os demais?
Em um ônibus, motorista e cobrador têm seu lugar de fala garantido… e os demais?

Mas e os demais?

Pois é… e os demais? Estes não tem lugar de fala. Aturam um sistema de transporte, precário, irritante, demorado e perigoso. A única fala – quando ocorre – é com um outro usuário. Que também não tem lugar de fala, e a conversa não passa de uma pequena reclamação sobre o calor que está fazendo.

Na Internet e na TV vejo que estamos discutindo questões todos os dias. E sejam questões relevantes ou não, discutir faz parte da natureza humana. Porém, se você não está em seu lugar de fala, você não tem autoridade nenhuma para falar sobre esse assunto.

Explicando tudo isso

Explicarei agora, todas essas analogias. Está se criando nas mídias a comunicação apenas para quem tem lugar de fala. Ou seja, aquele que está presente naquela situação. Um exemplo: eu – como homem hétero – não posso falar sobre feminismo ou sobre a questão de gênero. Isso aparentemente é óbvio, pois não me enquadro nas categorias citadas, minha voz não tem que ser ouvida.

O problema é que a partir disso, surge então o perigoso caminho da ignorância.

Uma simplificação de como está funcionando a questão do lugar de fala
Uma simplificação de como está funcionando a questão do lugar de fala

Talvez, quem exige o lugar de fala do locutor, esteja cometendo um grande erro. Se você limita e restringe a opinião de outrem, você pode – ao invés de acabar com o preconceito – aumentar ainda mais ele.

Isso mesmo… o preconceito. Que nada mais é que a ignorância humana, de não se conhecer o diferente e buscar apenas a aceitação dos iguais. Então sem conhecer o outro e sem poder falar sobre o outro, me torno alheio ao outro, pois não tenho um espaço próprio de argumentação.

Se eu não posso falar… Por que devo ouvir?

Não posso falar sobre as questões, pois não sou protagonista desses assuntos? Então quem vai falar sobre isso? Pois, se não posso falar, por que devo ouvir?  Se não sou a autoridade naquele momento, quando serei eu a autoridade?

E quando a autoridade errar, por motivos de desinformação ou ignorância? Quem poderá questionar e corrigir? Quem está no lugar de fala?

Resta uma última opção…

Mais importante do que tudo isso, eu ainda posso puxar a campainha e descer na próxima parada. Porém o lugar de fala continua no mesmo lugar… sem ninguém pra ouvir.

Deixe seus comentários

Publicado em:Amarelinhas,Crônicas,Opinião,Sem categoria

Conheça também...