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Qual é o meu lugar de fala?

Nobres leitores, estamos de casa nova, nossa plataforma nova é maravilhosa e eu confesso… tenho que me adaptar a ela. Mas isto ocorrerá de uma forma bem natural e intuitiva, característica marcante da plataforma.

Mudanças são sempre necessárias. E na história aprendemos que as revoluções servem para modificar as permanências. Mas estudamos ambas, pois tudo o que permeia a humanidade é essencial para ela.

Em um mundo, em que alguns tem seu lugar de fala garantido, e só podem falar, quando estiverem em seu lugar de fala. Surge em mim uma dúvida, qual é o meu lugar de fala?

Quando pego o ônibus, rotineiramente, me vem um pensamento bem interessante. O motorista, tem seu lugar de fala garantido, é a autoridade dentro do veículo. O que ele fala é a lei daquele momento, tanto é que nem se pode falar com ele durante o trajeto. Pois afinal, sem ele, não tem mais o transporte.

Já o cobrador (ou trocador em algumas regiões), quando presente nos ônibus, tem seu lugar  garantido, sua fala também é autoridade, ainda mais quando manda que os passageiros se amontoem cada vez mais para entrar novos usuários.

Pois é, os demais, não tem lugar de fala. Aturam um sistema de transporte, precário, irritante, demorado e perigoso. A única fala, quando ocorre, é com um outro usuário, que também não tem lugar de fala, e a conversa não para de uma pequena reclamação que “está muito calor”.

Ao ver na internet e na tv, vejo que estamos discutindo questões todos os dias. Relevantes ou não, discutir faz parte da natureza humana. Porém, se você, não está em seu lugar de fala, você não tem autoridade nenhuma para falar sobre esse assunto.

Pois bem, nobre leitor, explicarei agora, todas essas analogias. Está se criando, nas mídias, a comunicação apenas para quem tem lugar de fala, ou seja, aquele que está presente naquela situação. Um exemplo, eu, como homem hétero, não posso falar sobre feminismo ou sobre a questão de gênero. Isso é óbvio, não me enquadro nas categorias citadas, minha voz não tem que ser ouvida. E então surge o perigoso caminho da ignorância.

Talvez, quem exige o lugar de fala do locutor, esteja cometendo um grande erro. Se você limita e restringe a opinião de outrem, você pode, ao invés de acabar com o preconceito, aumentar ainda mais ele. Isso mesmo, o preconceito, nada mais é que a ignorância humana, de não se conhecer o diferente, e buscar apenas a aceitação dos iguais. Então sem conhecer o outro e sem poder falar sobre o outro, me torno alheio ao outro, pois não tenho lugar de fala.

Não posso falar sobre as questões, pois não sou protagonista desses assuntos? Então quem vai falar sobre isso? Pois, se não posso falar, por que devo ouvir?  Se não sou a autoridade naquele momento, quando serei eu a autoridade?

E quando a autoridade errar, por motivos de desinformação ou ignorância? Quem poderá questionar e corrigir, quem está no lugar de fala?

Mais importante do que tudo isso, eu ainda posso puxar a campainha e descer na próxima parada. Porém o lugar de fala continua no mesmo lugar, sem ninguém pra ouvir.

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