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Amor de mãe, amor de filha.

Existe um chavão que diz que em cinema fazer rir é muito mais difícil do que fazer chorar. “Sem Pipoca” discorda. Fazer rir ou fazer chorar são tarefas dificílimas na medida em que precisam ser bem realizadas. E por que estamos recomendando um drama – sim, trata-se de um drama – nestes tempos tão dramáticos? Porque 18 presentes surpreende. E vale pelo jeito em que reinventaram uma história real para contá-la num filme.

A história de 18 presentes

O fato que realmente aconteceu foi que uma italiana, Elisa Giotto, descobriu-se portadora de um câncer metastático que a consumia em plena gestação de sua primeira filha. A doença foi progredindo de tal maneira a tornar o parto praticamente uma sentença de morte.

Elisa – então pouco antes de dar à luz – elabora uma lista de dezoito presentes a serem dados à filha nos primeiros dezoito aniversários. Este ponto de partida calcado numa tristíssima realidade se torna um filme bonito, surpreendente pelas opções de se contar um enredo como esse, propondo soluções dramáticas que vão da comédia ao realismo mágico sem macular a essência da história.

Dezoito presentes para estar sempre presente na vida filha...
Dezoito presentes para estar sempre presente na vida filha…

A narrativa começa mostrando a evolução do crescimento de Anna, a filha, que vai recebendo os presentes da mãe que não conheceu na medida em que cresce. Tal sucessão vai com o tempo passando de um toque de certa maneira reconfortante para algo inconveniente até que no décimo-oitavo aniversário se concretiza como algo perturbador, beirando o insuportável.

E então… a história toma outro rumo

Anna tem um chilique e sai da comemoração para uma noite onde tenta uma esbórnia. Sendo uma moça comum até não mais poder, portanto sem prática de chutar o balde, acaba pondo os pés pelas mãos e sendo atropelada, entrando em coma – bem no dia do seu aniversário.

Ao chegar em seu último presente... uma mudança drástica em sua história
Ao chegar em seu último presente… uma mudança drástica em sua história

O atropelamento e o coma de Anna são a guinada da história, a qual se encaixa perfeitamente no roteiro e se mostra necessária para que o filme exista como tal. É este evento que amarra as pontas e torna mais tocante uma história que já teria elementos suficientes para um drama lacrimoso.

A coragem do diretor Francisco Amato de contar esta passagem se confunde com o que soa como ousadia mas que no fundo foi uma escolha para desenvolver o roteiro. Com cenários e figurinos simples, corretos, sem afetações, o filme consegue mostrar “gente como a gente” vivendo por um lado um drama imenso, digno de ficção, mas também nos mostra os nossos dramas diários que vão se entrelaçando na história e ditando seu ritmo. O elenco traz a estrela Vittoria Puccini despojada, com uma interpretação suave no que é seguida pelos pares, reforçando o clima.

E se você pudesse entender o mundo pela visão de sua mãe, mesmo ela não mais estando por perto?
E se você pudesse entender o mundo pela visão de sua mãe, mesmo ela não mais estando por perto?

Por que assistir “18 presentes”?

O final deixa a história terminar sem pontas e nos convence que o “plot twist” do roteiro foi muito bem vindo e se encaixou de forma leve e eficaz. Falando assim, nós sabemos, que fica cada vez mais vago. Então vamos lá: bata a poeira desta quarentena e ligue na Netflix para este filme. São “18 presentes” para Anna e um presentão para você!

Serviço

“18 presentes” (18 regali) – Itália, 2020. Direção Francesco Amato. Com Vittoria Puccini; Benedetta Porcarolli ; Edoardo Leo e Sara Lazzaro. Roteiro: Francesco Amato; Massimo Gaudioso; Alessio Vicenzotto e Davide Lanzieri. Disponível na Netflix

Post Scriptum

O viúvo de Elisa Girotto (a mãe na vida real), Alessio Vicenzotto, ajudou a escrever o roteiro.

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Publicado em:Cinema & Séries,Entretenimento,Sem Pipoca

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