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Carta Aberta ao Ministro da Educação

Ao Ministro da Educação, Carlos Decotelli.

Senhor Ministro,

Na minha humilde função de cidadão brasileiro tenho o costume de remeter sempre um arrazoado de mal traçadas ao Ministro da Educação sempre que ele assume. Já perdi a conta de quantas foram, mas aqui estou.

Veja esta carta como uma lufada de esperança que se renova a cada vez que o ocupante do cargo muda, seja lá sob que Presidente estiver. Torci pelos seus antecessores, repito, sem importar quem era o Presidente de turno e torcerei pelo senhor.

Inicialmente, Ministro, vamos voltar às antigas. MEC é MEC. Que o senhor seja o Ministro de Estado da Educação E Cultura. Sabemos que sua pasta nasceu como Ministério da Educação e Saúde, mas até Getúlio Vargas considerou maldade demais com o vivente que assumiria o cargo e mais tarde separou o trato da Saúde para outro ministério e em 1953 sancionou o MEC.

Sarney tirou o “C” da sigla e criou o Ministério da Cultura, que já nasceu meio sem sentido. Collor rebaixou para Secretaria da Cultura, e um dos ocupantes do posto, Sérgio Rouanet organizou numa lei a função de mecenas do Estado – único sentido da Secretaria, visto que sob ela se amontoaram Autarquias, que como o nome diz tem as ações mais desenvoltas. Caríssimo Ministro, pegue para si a Cultura e deixemos um assunto a menos na crônica nacional a constranger os de bom senso.

Os últimos ocupantes foram complicados. Estamos no quinto, é no quinto secretário – está lá o rapaz da Malhação, que certamente é um bom moço, mas… entende? Antes dele foi a Regina Duarte que não precisava disso, deu até um pouco de dó, para depois descobrirmos que a Secretaria também não precisava dela. E teve o Roberto Alvim, um soberbo diretor de teatro mas que incorporou o personagem errado… Sem contar que por alguma razão obscura como os limites do espaço-tempo a Secretaria está hoje vinculada ao Ministério do… Turismo. Enfim, não é nosso escopo aqui mas o senhor veja o que pode fazer, pode ser?


E tem o ENEM né? Se eu fosse o ministro eu colocaria a cabeça debaixo do travesseiro e começaria a gritar “NÃO VAI TER ENEEEEM!!! NÃO VAI TER ENEEEEM!!”. Mas, para gáudio dos egressos do Ensino Médio, eu não sou o ministro. Considerando que a hipótese do travesseiro está descartada, a gente precisa ver como é que vai fazer, tá bom? Eu não sei, mas acho que se o senhor não sabe, precisa arranjar um jeito logo.

Gostaria de sua atenção para a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que sucedeu as Diretrizes Nacionais Curriculares (DNC), que por sua vez sucedeu os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Se o senhor quiser pode mudar o nome e a sigla de novo, sei lá coloca “Zé da Silva” (ZDS). Mas põe o negócio para funcionar pelamordedeus. Ela vai guiar nosso Ensino Fundamental, aquele sem o qual a gente não sairá desse buraco, aquele que vai capacitar gerações para levantar o gigante adormecido.

Não sei o que fazer constar nesse tipo de documento, mas desde que dê um jeito da meninada sair sabendo fazer conta e interpretar um texto em português tá valendo. Vê aí o que o senhor pode fazer, talquei? (ops)

Se o senhor quiser pode ficar espinafrando o Paulo Freire como seus últimos antecessores. É deveras divertido. Mas, considerando que ele propôs um (bom) método de alfabetização de adultos, talvez nossa missão seja exatamente não precisar do método dele, né não? E deixe quem o adora adorá-lo em paz, deixa ele ser patrono de seja lá o que for, vamo que vamo que temos muito trabalho pela frente.

Desejo toda sorte ao senhor e que sua passagem faça diferença. O país precisa.


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Publicado em:Opinião,Papéis Avulsos

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