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A escolha errada… Quando o preço leva a melhor sobre a qualidade

Em meu círculo social, acredito que eu sou aquele cara que funciona como influenciador de tendências quando o assunto é tecnologia. Geralmente sou consultado por amigos e parentes na escolha de um novo celular, em peças para um computador, modelos de notebook e cacarecos tecnológicos em geral. E muitas vezes, eu acabo influenciando na decisão (ou não) de compra.

Mas… calma lá! Eu disse muitas vezes. Em outras vezes sou solenemente ignorado. E nestes casos, sou invariavelmente batido pelo critério destruidor e muitas vezes definitivo para o consumidor brasileiro: o preço.

Mas afinal, quais são os meus critérios?

O critério ‘preço’

Pode parecer contraditório, mas o primeiro critério que eu levo em consideração ao opinar sobre um produto é justamente o orçamento disponível. E faço isso por uma boa razão… não tem sentido sugerir um smartphone de R$ 2500 se o orçamento da pessoa chega no máximo nos R$ 1500. Sabendo o orçamento, podemos pensar no que será cortado nos outros itens sem prejudicar a escolha.

O critério ‘utilização

Após ter uma ideia do orçamento, vou em direção aos objetivos do comprador: o que ele quer no aparelho que vai comprar? Uma boa câmera no celular? Uma boa autonomia em um laptop? Um bom isolamento acústico em um headset? Pode parecer estranho, mas ajuda muito a eliminar escolhas desnecessárias saber qual a aplicação principal.

A lógica por trás disso é simples. O aparelho a ser comprado precisa ser bom na maior parte do tempo nas tarefas que o comprador realmente utiliza. Não adianta um fone ter um cancelamento de ruído ativo maravilhoso se o nosso comprador não vai utilizar a função. Não adianta uma caneta stylus em um smartphone se o cidadão vai tirar apenas fotos com o aparelho. Entender o que a pessoa busca em um aparelho é fundamental para podermos avaliar o próximo critério.

O critério ‘adequação’

Aqui entra um pouco do nosso conhecimento técnico sobre os aparelhos disponíveis no mercado. Isso porque, na maioria das vezes que me perguntam sobre um aparelho, as pessoas já tem um ou dois modelos em vista. Ela está buscando o viés de confirmação.

Recentemente, um amigo me pediu ajuda para comprar um headset. Fiz as perguntas de praxe: “quanto?” e “para quê?”. Ao mesmo tempo em que ele me respondia as perguntas, aproveitou para mostrar algumas opções que ele tinha em mente.

E este é um momento delicado, onde normalmente frustra-se aquela relação expectativa versus realidade. Não é incomum a pessoa se sentir ofendida: “Como aquele modelo que eu achei maravilhoso não serve para mim?”. A resposta é justamente essa: a adequação. Pouco adianta ter um headset com virtualização 7.1 se o aparelho vai ser usado para comunicação… O que implica necessariamente em um bom microfone.

Adequar é justamente isso… Observar as características desejadas e confrontar com as características necessárias.

O critério “preço” (sim… de novo)

Neste ponto da conversa, normalmente já conseguimos reduzir a busca por um modelo ideal, um modelo real e um modelo de consenso. O primeiro é aquele que reúne tudo o que é necessário e atenderá o cidadão em suas necessidades e expectativas. Normalmente este modelo não está pelo preço que a pessoa quer pagar. Depois vem o modelo real… aquele que cabe no bolso, mas deixa a desejar na qualidade geral. Muitas vezes eu perco a discussão neste ponto.

E por fim, a solução de consenso… Aquela que traz algumas boas características, deixa a desejar em outras, tem um preço razoável, mas não é o amor da sua vida.

Muitas vezes, ficamos neste ponto. Mas muitas vezes a teimosia em pagar menos vence qualquer argumento técnico. É porque temos um escorpião no bolso… é porque não podemos gastar isso agora… é por um milhão de razões diferentes… mas que servirão para justificar o nosso desejo de algo ser bom e barato.

Entre ter razão e ter paz…

A medida que a idade avança, procuramos ter paz, mesmo que isso signifique perder uma discussão. E acho que estou entrando neste momento de vida. Eu ainda atendo a todos que me procuram atrás de recomendações. Faço as mesmas perguntas de sempre. Apresento razões técnicas para as minhas opiniões, mas desisto da discussão quando o fato preço é o único que motivará a escolha da pessoa.

E o motivo é simples.. ela já se decidiu. Não tem certeza da qualidade de sua escolha e procura em mim um viés confirmatório para sua decisão não acertada. E neste momento, para que eu tenha paz, prefiro que a pessoa (pense) que tem razão e tome sua decisão de compra.

Brasileiro tem memória curta… provavelmente quando precisar trocar seu aparelho, terá esquecido de nossa conversa anterior. Provavelmente me procurará novamente e voltaremos a este grande ciclo interminável.

A equação que leva em conta qualidade, conveniência e custo é sempre bastante complicada. Ainda mais quando não estamos dispostos a aceitar que estes critérios andam juntos.

Mas confesso que eu não entendo isso… A pessoa não está disposta a me ouvir desde o começo… então por que diabos, me pergunta?

Boas compras e boa sorte para você que só está pensando no preço.

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Publicado em:Crônicas,Noites de Insônia,Opinião

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