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Joelho de Porco – “São Paulo 1554/Hoje”

Buenas povo! Olha só quem está de volta na praça depois de um longo e tenebroso inverno. Assim que o tempo for permitindo, vou lançando algumas pepitas musicais. A pérola de hoje vem diretamente do longínquo ano de 1976 e é uma peça ímpar na discografia brasileira. Ouso dizer que eram a banda certa no momento errado. Se tivessem surgido nos anos 80, tinham tudo para ser a maior banda desse país. Sem mais delongas, vamos falar do Joelho de Porco e seu autofinanciado álbum de estreia, o icônico “São Paulo 1554/Hoje”.

O álbum “São Paulo 1554/Hoje”

Gravado e produzido pela própria banda, os paulistas lançam um petardo que ao menos no que diz respeito à atitude contestadora, inaugura o punkrock aqui no país. Se na atitude são punks, levando o “faça você mesmo” ao pé da letra, sua sonoridade soa ainda mais anárquica, misturando o que até então parecia imiscível: Hard Rock setentista, música caipira, marcha rancho e até suítes de música clássica de violinos e pianos.

De instrumental complexo, bem feito e de extrema competência, é na ironia de suas letras que moram o grande charme da banda. Usando o o bom-humor para retratar os problemas de São Paulo, o Joelho segue a tradição de bambas como Adoniram Barbosa e Jackson do Pandeiro para explicitar os problemas sociais da metrópole, o medo do progresso, as relações entre pais e filhos, já prevendo os problemas psicológicos do novo milênio, quase numa base de estudo “freudiano”.

De maneira caricata, mas absurdamente bem executado, Próspero Albanese (voz), Tico Terpins (baixo/voz), Walter Baillot (guitarra/voz), Flávio Pimenta (bateria), Sérgio Sá (piano/teclado) e Dudi Guper (percussão), criam um retrato único de uma cidade que une no mesmo espaço geográfico a pecha de grande capital cosmopolita com as tradições interioranas mais enraizadas no nosso cotidiano.

Os integrantes da banda Joelho de Porco

Um disco à frente do seu tempo que hoje, em 2022, ainda soa poderoso e atual, uma verdadeira aula de rock’n’roll, uma aula de criatividade e um belo tapa na cara da sociedade setentista, o joelho em sua estreia teve a audácia de criar um dos grandes discos de rock brasileiro de todos os tempos.

A falta de investimento e publicidade da banda, fez com que o vocalista Próspero Albanese saísse da banda para se dedicar à faculdade de direito, em seu lugar entrou o (ainda não) ator Ricardo Petraglia e depois desse, o produtor argentino Billy Bond.

Após essa estreia absurda, foram contratados pela Som Livre, mas essa história fica para depois …

Peça emprestado, compre, roube, ouça! Discoteca obrigatória!

Logo menos tem mais.

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Publicado em:Disco da Semana,Opinião

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