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O Saci Bípede

Eu vi um saci bípede correndo em meu quintal. Pequeno, sagaz, veloz. Velocidade afirmada e circundada por um redemoinho de vento. Sim, eu vi um saci bípede que corria de um lado para outro. Puxava o rabo dos cachorros, assustava o coelho e zombava das tartarugas, mesmo elas catatônicas e pouco se importando com tamanhos rodopios.

Eu vi um saci bípede correndo em meu quintal e antes que o grande Drumond também me zombe com as tantas pedras que se tem pelo caminho, talvez me mostrando que essa escrita também rodopia como esse redemoinho, deixo aqui minha dúvida: acho muito suspeito a segunda perna do saci.

Mas, antes que acontecesse a crítica do grande gênio, uma assistência se montava ao redor de minha casa, e muito inflamada pela óptica masculina, ávida por enaltecer o suposto bem dotado saci. Permeando perguntas curiosas e sussurros dos mais diversos, escuto histórias das loucas aventuras que se prestavam outros ditos bem dotados, afinal, machos são machos e admiram os grandes falos.

Descontentes com a estupidez masculina, as mulheres começam a sair do local, enquanto os machos se dirigem ao bar para comemorar com muita cerveja e lanches de linguiça colocadas no meio de baguetes, afinal machos são machos, com seus redemoinhos de falos. O saci, ainda a mil, perambulava em meu quintal, para lá e para cá, para cá e para lá, e agora só, noto que a tal perna creditada era nada mais que a perna de outro saci.

Descubro depois de tanto rodopio que o saci bípede que tanto pulava em meu quintal se tratava de um saci canibal.

Publicado em:Crônicas,Entretenimento,O Sujeito Oculto

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