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Moto G84 – Apresentação e Primeiras Impressões

A linha Moto G surgiu em 2013 para trazer ao público um celular com especificações intermediárias. A ideia era trazer um celular com bons recursos e preço acessível. Era o padrão “bom, bonito e barato”. De lá pra cá, cerca de 50 modelos diferentes da linha já foram lançados. São mais de 10 anos de história e algo em torno de 200 milhões de aparelhos vendidos. Desta vez trazemos o Moto G84 para sua apresentação e primeiras impressões.

Do básico ao “quase” avançado

Até sua terceira geração, os aparelhos da linha Moto G investiam na personalização das suas cores e não em configurações diferenciadas. Isto só surgiu com o Moto G4 que além da sua versão – digamos – original, trazia uma versão Plus com tela maior e maior capacidade de armazenamento e uma versão Play com configurações mais modestas e preço mais acessível. Esta lógica perdurou até o Moto G9, sendo que a partir do Moto G7 passamos a contar com uma versão Power que trazia uma bateria de maior capacidade.

Em pouco mais de 10 anos, mais de 50 modelos Moto G lançados

Com o surgimento da décima geração, a Motorola ampliou a gama de modelos e a linha passou a oferecer opções que iam do celular extremamente básico, caso do G10 e G10 Power, passando por intermediários como G20, G30 e G50, caminhando por intermediários Premium, caso do Moto G60 e G60s e chegando em modelos que beliscavam algumas características de topo de linha, caso do G100 e G200. Essa mudança de paradigma aconteceu em 2021 e foi nessa época que migramos para um G9 Plus, que aliás apareceu por aqui no UBQ.

No mesmo ano de 2021 a Motorola fez uma adaptação da nomenclatura, surgindo os aparelhos com final “1”, como os Moto G31, G41 e G71 que não traziam grandes novidades e olhando em retrospecto, não foram aparelhos com bom custo-benefício. Para 2022, veio a linha com final “2” e ficou claro que a Motorola pretendia trazer ao mercado uma enxurrada de intermediários que variavam em configurações como tela, som estéreo, câmeras e conectividade. A inspiração veio claramente da Samsung que segue uma linha parecida com a sua linha A.

A linha Moto G em 2024

Agora em 2024, temos a linha Moto G com final “4”. E desde o ano passado, a empresa trouxe modelos seguindo a mesma filosofia e agora incluindo também modelos ainda mais básicos, talvez pensando em agregar a linha Moto E à linha Moto G. Assim, atualmente, a Motorola conta com seguinte linha de aparelhos Moto G:

  • Moto G04: lançado em fevereiro/2024, com tela HD+ de 6,6″, Unisoc T606 com 4GB de RAM e 64GB de armanenamento e conjunto de câmeras com uma principal de 16 MP e uma frontal de 5 MP.
  • Moto G14: lançado em agosto/2023, com tela Full HD+ de 6,5″, Unisoc T616 com 4 GB de RAM e 128 GB de armazenamento e conjunto de câmeras com uma principal de 50 MP, uma macro de 2 MP, e uma frontal de 8 MP.
  • Moto G24: lançado em fevereiro/2024, com tela HD+ de 6,56″, Helio G85 com 4 GB de RAM e 128 GB de armazenamento interno e conjunto de câmeras com uma principal de 50 MP, uma macro de 2 MP e uma frontal de 8 MP.
  • Moto G34: lançado em janeiro/2024, com tela HD+ de 6,5″, Snapdragon 695 com opções de 4GB/128 GB ou 8GB/256GB de RAM/Armazenamento Interno e conjunto de câmeras com uma principal de 50 MP, uma macro de 2 MP e uma frontal de 16 MP.
  • Moto G54: lançado em setembro/2024, com tela Full HD+ de 6,5″, Dimensity 7200 com opções de 4GB/128 GB ou 8GB/256GB de RAM/Armazenamento Interno e conjunto de câmeras com uma principal de 50 MP (desta vez com estabilização óptica), uma macro de 2 MP e uma frontal de 16 MP.
  • Moto G84: esse é o amiguinho que vamos conhecer hoje!
Linha Moto G atual: Moto G04, G14, G24, G34, G54 e G84

Observando comparativamente as especificações da linha atual, fica claro a Motorola deixou a linha Moto G como um grande balaio de celulares básicos e intermediários. Os celulares com especificações mais avançadas foram alocados na linha Edge e Razr. E veremos que mesmo o Moto G84, apesar das boas especificações, é apenas um bom celular intermediário, mesmo sendo o aparelho mais avançado da linha.

Vamos ao Moto G84

Esta introdução foi importante para deixar claro que atualmente não temos algo como um Moto G9+ ou um Moto G60. Estes são modelos mais antigos, mas trazem algumas especificações um pouco melhores que o Moto G84. Apesar do aparelho atual contar com som estéreo, com conexão 5G, memória RAM de 8GB e um acabamento mais premium com a utilização do Vegan Leather (uma texturização que lembra couro) ele peca em quesitos como câmera e poder de processamentos. Tanto o Moto G9+ como o Moto G60 traziam processadores da linha Snapdragon 730, câmeras superiores e capacidade para gravações em 4K.

A impressão que dá é que a empresa resolveu limitar a linha G para aparelhos bons. Mas apenas bons intermediários.

Configurações

Tendo isso claro para nós, não é justo avaliar o Moto G84 como um intermediário Premium. Ele definitivamente não é para entusiastas, mas sim para usuários que buscam configurações equilibradas para tarefas do dia-a-dia. E pesa ainda o fato de que a Motorola capou o aparelho aqui no Brasil. Lá fora, ele tinha uma versão com 12 GB de RAM. Por aqui, apenas 8 GB.

Moto G84 nos “sabores” Magenta, Azul e Grafite

Seu processador também não é um campeão de performance, mas mesmo assim o Snapdragon 695 (que é o mesmo processador do Moto G34) é suficiente para tarefas cotidianas, jogos leves e consumo de mídia. Jogos mais pesados ou usuários mais avançados poderão sentir que o aparelho não supre o necessário. Já falamos da memória RAM e é uma pena que não exista uma versão com mais memória por aqui. Seu armazenamento interno é de 256 GB com expansão via cartão de memória para até 1TB. É possível conectar dois chips ao aparelho, mas um deles deverá ser no padrão e-SIM.

A tela é pOLED, o que é um belo avanço na questão da visibilidade. Com 6,55″ conta com resolução de 2400×1080 (Full HD+) e taxa de atualização de até 120 Hz. A câmera frontal de 16 MP (f/2.5) é central, com um furo na parte superior da tela. Na traseira, um conjunto duplo de sensores. O principal conta com 50 MP (f/1.9) com estabilização óptica e o secundário usa uma lente ultrawide de 8 MP (f/2.2) com macro e sensor de profundidade. Os sensores não são capazes de gravar em 4K, sendo que o máximo por aqui serão vídeos em Full HD com até 60 fps (no sensor traseiro). Sobre a tela, faltou falar do revestimento protetivo, que não é o tradicional Gorilla Glass, mas uma outra proteção chamada Panda Glass, menos conhecida no mercado e pelo que dizem, menos qualidade que sua famosa concorrente.

O áudio é estéreo e conta com Dolby Atmos e ele conta com rádio FM (ora… ora… ora…). A bateria é de 5000 mAh que é praticamente um padrão de mercado hoje em dia. O carregador é de 33W com Turbo Power. Ele conta com 5G e NFC, além de Wi-Fi dual band. O Bluetooth é o padrão 5.1. Em termos de sensores, temos o acelerômetro, sensor de proximidade, luz ambiente, giroscópio, bússola e desbloqueio facial, além daquela sopa de letrinhas na conectividade para localização: GPS, AGPS, LTEPP, Glonass, GALILEO, Beidou e QZSS.

Estrutura

O Moto G84 tem o ponto positivo de ser um celular leve (cerca de 167 g) conta com um corpo ajustado à sua tela (16 cm de altura e 7,43 cm de largura) e também é fino (cerca de 7,6 mm). Ele vem em três cores: Azul (numa tonalidade bem clara, aliás), Grafite e a badalada Viva Magenta, desenvolvida conjuntamente com a Pantone. A versão Grafite conta com traseira em plástico fosco. Já as outras duas versões trazem acabamento em Vegan Leather que é um plástico texturizado que imita a textura de couro. Uma moldura metálica contorna o aparelho e também recobre os sensores das câmeras traseiras.

O famigerado botão do Google Play foi incorporado ao botão Power, que está situado na lateral direita, juntamente com os botões que controlam o volume do áudio. O sensor biométrico fica sobre a tela. Na lateral esquerda, temos acesso a gaveta para os chips. Ela permite a inserção de um chip SIM e um cartão de memória. Para usar um segundo chip, você precisará recorrer à sua operadora para obter um e-SIM.

A face superior do aparelho conta apenas com o oríficio do microfone de captação da câmera. A face inferior traz um conector P2 (sim… eles ainda existem), a conexão USB-C e também um alto-falante para o som estéreo. Um design enxuto, mas bem resolvido e elegante.

Faltou dizer que o aparelho tem proteção IP54. Resistente à

Primeiras Impressões

O lançamento do aparelho foi em setembro de 2023. E a empresa fez um barulho danado por conta do design mais refinado do aparelho. O aparelho chegou por aqui agora em fevereiro e neste meio tempo, a empresa lançou outros aparelhos. E chamou muito a atenção do Moto G34 ser equipado com o mesmo processador. Não fizemos nenhum teste de performance, mas parece que a escolha do Snapdragon 695 foi equivocada para a proposta do aparelho. Talvez um Snapdragon 7 Gen 2 fosse uma escolha mais apropriada. Fica claro que a empresa buscou oferecer um produto com muitos recursos e um bom acabamento, mas para manter ele numa faixa de custo mais acessível fez alguns cortes questionáveis.

Na caixa

As empresas estão tornando as caixas de seus produtos cada vez mais espartanas. A justificativa é que querem tornar o produto mais sustentável. A moda começou com o iPhone, mas Samsung e Motorola parecem seguir o mesmo caminho. Assim, na caixa do Moto G84 a embalagem usa materiais recicláveis e contém – além do aparelho – um carregador de 33W, um cabo de dados USB-A/USB-C, alguns folhetos regulatórios, a ferramenta para retirada do chip. E só. Nada de fone de ouvido, nada de capinha protetora ou película. Pelo menos eles borrifam algum tipo de perfume, deixando o interior da caixa com um aroma bem bom.

A caixa do Moto G84, com apresentação “Moto Eco”. Conteúdo espartano

Ligando

O aparelho vem de fábrica com a versão 13 do Android. O processo de configuração é o de sempre… selecionar idioma, definir rede de dados, cadastrar conta Google, optar ou não pelo backup de dados e enfim, utilizar o aparelho. A interface My UX segue o padrão conhecido pela Motorola, limpo e com aplicativos adicionais que podem ser desinstalados manualmente. O brilho da tela impressiona: temos até 1.000 nits de brilho e a taxa de 120 Hz torna tudo muito fluído. Todos os gestos do Moto Ações estão presentes. Os modos de tela dividida e janela flutuante são ótimas aquisições. O nível de personalização da interface é muito interessante.

Usando o Moto G84: fluido e intuitivo (créditos da imagem: bgeeks)

Algo que eu achei bastante interessante é o modo Moto Secure que permite a criação de uma pasta segura, que confere uma camada adicional de proteção para alguns arquivos e programas mais críticos. Outra novidade é o suporte ao Moto Connect que é o suporte da Motorola conhecido anteriormente como Ready For. Em resumo, ele permite que você conecte seu aparelho à uma televisão via protocolo Miracast e transforme a interface para um desktop, permitindo que você possa usar o celular como ferramenta de produtividade.

A configuração do sensor biométrico também funcionou bem. Leva um tempinho para acostumar com a posição dele, mas é questão de hábito e rapidamente você se acostuma. No geral, a experiência de uso é bem confortável, ainda mais para alguém que tem o Moto G como celular principal há alguns anos.

No mais, o aparelho foi bem responsivo e não apresentou nenhum engasgo na sua utilização inicial.

Vale a pena?

O aparelho foi lançado no mercado com preço inicial de R$ 1.999. Atualmente você consegue encontrar o aparelho em boas promoções por cerca de R$ 1.500, o que torna ele bem competitivo na sua faixa de performance. Seu competidor natural talvez seja o Samsung A34 ou até mesmo o A54 e neste ponto, podemos dizer que ele perde um pouco em termos de performance. No entanto, os aparelhos da Samsung estão com o preço um pouco acima disso, o que acaba criando uma dúvida quanto ao custo/benefício. Pela Xiaomi, o concorrente talvez seja o Redmi Note 12 Pro 5G, mas nesse caso, a comparação só será justa se o aparelho da Xiaomi for adquirido por importadores e não na loja oficial.

É inegável que a Motorola faz bons aparelhos intermediários e vai bem também nos modelos básicos. E com o Moto G84 a empresa deixou claro que a linha Moto G é de aparelhos básicos e intermediários. Se você quiser uma experiência mais premium, o caminho é a linha Edge.

Ele é competente para tarefas do dia-a-dia, funciona bem para consumo de mídia, é leve e não é um trambolhão. Tem um bom acabamento e traz os recursos mais requisitados pelos usuários. Neste cenário, o Moto G84 faz sentido e é uma escolha bastante acertada para o consumidor que não quer gastar muito com o celular, mas ao mesmo tempo quer algo que vai além do trivial.

Eu confesso que gostaria de ver este aparelho com um processador da série 7 e talvez com uma câmera com mais recursos. Mas no geral, entre prós e contras, é um aparelho muito bom e que deve ser levado em consideração como opção de compra se ele estiver dentro do seu orçamento. Só não se engane… ele é um intermediário muito bom. Não é de forma alguma, um celular premium.

Publicado em:Opinião,Produtos e Serviços

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