Olá, povo! Quem é vivo sempre aparece. A vida anda corrida, o trabalho tem corroído meu tempo, mas os bons sons não cessam jamais.
Tô de volta por aqui para recomendar boa música. Como sou das antigas, ainda levo muito a sério o conceito de álbum, a proposta, o que ele quer dizer, a sequência das faixas, os detalhes da produção e essa coisa toda de pirado em música. Não me apego ao single da moda e pronto. Vivo música, respiro música e não consigo me limitar às modas e trends de redes sociais. Gosto de vinil, de CD, de mídia física, que conta história, que tem ficha técnica, capa, detalhes que engrandecem a audição e não fazem da música apenas pano de fundo, de cenário para uma vida cotidiana e enlatada musicalmente.
Aqui a gente quer que o algoritmo se exploda, a curadoria sempre foi e sempre será HUMANA! Vamos deixar de lenga-lenga, coloquem seus fones e boa viagem.
O disco de hoje, para mim, é uma (ótima) surpresa. Vem da Argentina, é diferente do que costumo ouvir, mas tem me ganhado a cada nova audição (e tem estado nos meus fones há uns 10 dias seguidos já): “La Vida Era Más Corta”, do trapper argentino Milo J.
Sobre Milo J
Aqui temos uma mistura de presente e passado num mesmo caldeirão. O trap da cidade, atual, se encontra e se entrelaça com as raízes, as tradições, o folclore e a música nativa de toda a América Latina.
Milo J era conhecido na Argentina por seus êxitos em batalhas de rap/trap/freestyle. Seu estilo era urbano e contava as mazelas de uma Argentina envolta em dificuldades econômicas e da vida dura das periferias platinas.

Ao cair de cabeça em suas raízes, Milo faz do folclore portenho sua matriz. Mergulha em uma Argentina que não é vista, nem falada: a “Argentina marrom”, de indígenas, mestiças e afro-argentinas. Coloca no mapa o debate sobre a Argentina ser um país “branco e europeu”. Ressignificou o estigma da expressão “marrom” como sinônimo de uma raiz historicamente invisibilizada. Para isso, usa estilos díspares como o carnavalito, bossa nova, jazz, murga, candombe e guarânias para revitalizar seu trap.
A vida era mais curta?
Para dar vida a esse manifesto, Milo conta com a produção refinada de Santiago Alvarado e Tatool e as participações mais do que especiais de Trueno, Soledad, Paula Prieto, AKRIILA, Cuti, entre outros.
Em suas letras, revisita feridas e identidade, falando de infância, memória e perdas, além das questões sociais, numa busca incessante pelas suas próprias raízes e pela voz dos seus pares.
Um disco para ouvir em loop no repeat, onde todas as faixas são sensacionais e mostram uma faceta que a Argentina sempre fez questão de esconder. Milo J desmascarou preconceitos e fez um dos grandes discos de 2025. A repercussão do álbum foi tão grande que Milo J fez sua estreia no Brasil em setembro de 2026, com show em São Paulo.
Por mais discos assim. Sonoridade, identidade e valorização das suas raízes.
Logo menos tem mais.
Serviço – “La Vida Era Más Corta” de Milo J
- Lançamento: 25 de setembro de 2025
- Gravadora: Sony Music Latin
- Produção: Milo J, Tatool e Santiago Alvarado
- Formato: álbum duplo, com 15 faixas
- Participações: Trueno, Soledad Pastorutti, Paula Prieto, AKRIILA, Radamel, Nicki Nicole, Yami Safdie, Agarrate Catalina, Silvio Rodríguez, Cuti e Roberto Carabajal, além de trechos inéditos da voz de Mercedes Sosa
- Gêneros: trap, folclore argentino, tango, bossa nova, jazz e música latino-americana
- Ouça em: todas as plataformas digitais
Show no Brasil
- Evento: MUCHO! Ciudad Sonora apresenta Milo J
- Data: 13 de setembro de 2026
- Local: Audio, Av. Francisco Matarazzo, 694, Água Branca, São Paulo (SP)