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Scalene e o álbum “Magnetite”

Tô de volta para mais uma resenha musical. O álbum da vez é “Magnetite” direto de Brasília da galera da banda Scalene. Vamos então de rock brasileiro da melhor qualidade! Há discos que seguem o caminho natural de uma banda. Outros mudam o rumo. Magnetite, lançado em 2017 pelo Scalene, está no segundo grupo: é o álbum em que o quarteto brasiliense ampliou seu alcance sem perder a identidade.

Nota do Editor

O texto ora publicado é uma readaptação do texto original publicado em 27/11/2017 quando o UBQ ainda estava hospedado no Blogger. Apesar de algumas adaptações para o formato atual das publicações do Disco da Semana, as opiniões e comentários permanecem como no texto original. Divirta-se!

Scalene

Formado em Brasília em 2009, o Scalene começou como quinteto e logo se firmou como quarteto: os irmãos Gustavo e Tomás Bertoni (guitarras e vocais), Lucas Furtado (baixo) e Philipe “Makako” Nogueira (bateria). A banda mistura rock alternativo, post-rock e elementos de MPB, com referências como Queens of the Stone Age, Radiohead, Thrice e O’Brother.

A banda Scalene
A banda Scalene

Depois de levar o Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa com Éter (2015), o grupo chegou a Magnetite sob forte expectativa: era preciso provar que o prêmio não era ponto de chegada.

Magnetite: Produção e sonoridade

Produzido por Diego Marx e gravado no Red Bull Studios, em São Paulo, Magnetite reúne 12 faixas e soa maduro e experimental ao mesmo tempo. Entre as novidades, teclados mais presentes, criando atmosferas e texturas; um baixo mais grave e sinuoso, com espaço de destaque; as guitarras mais elaboradas, ainda o centro do som e por fim, os vocais de Gustavo explorando do falsete ao registro rasgado.

Magnetite- sem vergonha alguma de meter o dedo nas feridas da sociedade

O disco já abre pesado, denso e sem vergonha alguma de meter o dedo nas feridas da sociedade (mais um aspecto positivo dessa nova obra, a contestação ao “status quo” da nossa sociedade. Temas como servidão, preconceito e religião são questionados de maneira bem direta, o que dá ao álbum um caráter ainda mais crítico).

Vê-los tocando algumas dessas faixas, como “Distopia” e “Heteronomia” no Rock in Rio, pra milhares de pessoas ao vivo e pra milhões que acompanharam via TV, internet e afins, mostra a maturidade de uma banda que dá sua cara a tapa ao fazer suas críticas de maneira contundente.

As letras se destacam nesse novo disco. Ácidas, sensíveis, contestadoras e de um bom gosto ímpar, fazem desse novo disco um clássico imediato e um retrato do Brasil atual.

O resultado é um som moderno, com ecos do rock alternativo dos anos 1990 e toques de brasilidade, sem abrir mão do peso dos riffs.

Um vocal bem explorado

A voz do Gustavo nunca foi tão bem explorada como foi aqui. Sem medo de sair da zona de conforto, vai do falsete ao rasgado com uma fluidez que só grandes vocalistas conseguem, coisa de gente grande.

Produzido com esmero por Diego Marx, deixa muita banda gringa corando de vergonha, traz uma sonoridade moderna e ao mesmo tempo com um pé e meio na sonoridade de Seattle dos anos 90, repaginando e modernizando sua sonoridade com elementos novos, há espaço pras brasilidades sem perder o peso dos riffs de uma baita banda de rock. 

O peso do instrumental

O instrumental vem muito mais elaborado, mesmo na bateria bruta do Makako, a intenção de ir além é claramente perceptível. Há a preocupação com o novo, com a evolução, e a banda não se faz de rogada. O carro chefe ainda são as guitarras dos irmãos Bertoni, mas agora há muito mais espaço pro baixo do Lukão aparecer cada vez mais grave e sinuoso.

Os teclados são uma novidade pra lá de pertinentes e casam absurdamente bem com a sonoridade (ao vivo há um outro músico de apoio que reveza entre o teclado e uma terceira guitarra, dando ainda mais peso ao som), fazendo a cama e enchendo o som de novas nuances e climas.

Veredito: Discoteca obrigatória

Magnetite marca o momento em que o Scalene deixou de ser “apenas” uma grande banda de rock nacional e passou a ocupar um espaço mais amplo. Quase uma década depois, o disco continua impressionando pela coerência e pela força, e merece um lugar na discoteca de quem acompanha o rock brasileiro.

Ouça ontem. Discoteca obrigatória.  

Serviço

  • Lançamento: 18 de agosto de 2017
  • Gravadora: Slap (Som Livre)
  • Produção: Diego Marx
  • Formato: álbum de estúdio com 12 faixas
  • Gêneros: rock alternativo, post-rock e rock brasileiro
  • Ouça em: serviços de streaming
Publicado em:Cultura Pop,Disco da Semana,Música

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