Se lembrarmos da CCXP24, podemos afirmar que foi uma edição da reorganização. O Palco Thunder e o Palco Omelete trocaram de lugar. O mezanino foi aberto para o público. E os palcos Universe e Omni estrearam. Além disso, a organização falou em 287 mil visitantes e 120 marcas, um recorde até ali. Posteriomente, este total foi ajustado para 139 marcas.
Então, a pergunta para 2025 era simples. Dá para melhorar o que já era grande? Fomos para a CCXP25 com essa dúvida na cabeça. A edição foi anunciada ainda na despedida de 2024, para 4 a 7 de dezembro, no mesmo São Paulo Expo.
Quando e onde foi a CCXP25
A 12ª edição aconteceu de 4 a 7 de dezembro de 2025, no São Paulo Expo, na Rodovia dos Imigrantes, km 1,5. Mas a festa começou antes. Na quarta-feira, 3 de dezembro, rolou a Spoiler Night. Ela foi exclusiva para imprensa, convidados, CCXP Hero, Unlock CCXP e Epic Pass.
Infelizmente, nem tudo saiu como planejado. Mas isso é assunto para mais adiante. A credencial especial incluía entrada antecipada, fila preferencial e uma foto ou autógrafo com artista convidado. Por isso, quem foi nesse pacote já pegou o pavilhão cheio de novidade.
Spoiler Night: prévia, anúncio e filas por exclusivos
A noite de abertura trouxe duas notícias grandes. Primeiro, a pré-estreia de “Tainá e os Guardiões da Amazônia – Em Busca da Flecha Azul”, no Palco Blast!. Em seguida, o anúncio da CCXP Korea, a primeira edição do festival em Seul, prevista para 2027.
No pavilhão, as marcas já mostravam serviço. A Fiat levou uma experiência sensorial de Stranger Things: o público entrava no carro e vivia o Mundo Invertido. A Crunchyroll apostou em blind box com fichas trocáveis. E, nas lojas, houve fila por produtos exclusivos, como um Funko de Harry Potter em pré-venda limitada.
Palcos e áreas da CCXP25: o que mudou
A estrutura teve cara de continuação, com algumas novidades. Veja o mapa do que existia:
- Palco Thunder by Claro tv+: o principal, com capacidade para mais de 3 mil pessoas.
- Palco Omelete by BB: com transmissão no YouTube e na Twitch.
- Palco Blast!: a grande estreia, voltada a produtores independentes, artistas e fã-clubes, além de anúncios de editoras.
- Palco Omni: com 250 lugares, para quadrinhos, colecionáveis e audiovisual.
- Palco Universe by Seara: painéis, workshops, desfiles diários e concurso de cosplay.
- Palco Creators & Gamers: foco em criadores de conteúdo.
- Palco Magic e Magic Market: o pavilhão 8 inteiro, com batalhas medievais e casamentos.
- Fotos & Autógrafos by Heineken 0.0 e Praça de Alimentação by Fanta.
Os homenageados da CCXP25
Em 2025, dois nomes receberam destaque. Selton Mello foi o homenageado do evento. Já Mike Deodato Jr. foi o homenageado do Artists’ Valley e autor do pôster da área.
Deodato, aliás, abriu a programação do Palco Omelete by BB. Ele contou que começou nos anos 80 e que trabalha há 24 anos com a Marvel. Também lembrou que é filho do quadrinista Deodato Borges.
O primeiro dia
O primeiro dia começou com Tom Wlaschiha abrindo o Palco Thunder. Uma banda instrumental tocou o tema do evento, e a plateia se emocionou. O ator, conhecido como Jaqen H’ghar em Game of Thrones e como Enzo em Stranger Things, contou que Jaqen mudou sua carreira.

Depois, o Canal Brasil exibiu o teaser inédito de “Delegado”, série policial pernambucana que estreia em 2026. Em seguida, a quadrinista Bilquis Evely, vencedora do Eisner, falou de Mulher-Maravilha, Sandman e Supergirl. O Prime Video também brilhou. Mostrou o trailer da 2ª temporada de “Cangaço Novo” e o elenco de “Corrida dos Bichos”, com Rodrigo Santoro, Bruno Gagliasso e Isis Valverde.
Para fechar o dia, Dominic Monaghan encerrou o Thunder. O ator de O Senhor dos Anéis e Lost lembrou da estreia no Japão, quando o aeroporto foi fechado e fãs choravam.
A sexta-feira… o segundo dia do evento
Na sexta, a vez foi dos fãs de séries. O painel “Road to Hell”, pelos 20 anos de Supernatural, lotou o Thunder. Estavam lá Misha Collins, Jim Beaver, Richard Speight Jr., Rob Benedict e Kathryn Newton. Misha ainda distribuiu pães de queijo para o público.
No mesmo palco, o painel “Mauricio 90” celebrou os 90 anos de Mauricio de Sousa. Os herdeiros anunciaram o Parque do Chico Bento e uma exposição imersiva, que abre no Rio de Janeiro em 17 de dezembro. Já a O2 Play mostrou o que vem no cinema nacional em 2026, como “Querido Mundo”, “Barba Ensopada de Sangue” e “2Die4”, primeiro filme brasileiro feito para IMAX.

Também teve a Vitrine Filmes, com um trecho exclusivo de “O Rei da Internet” e uma conversa sobre “O Agente Secreto”. Em seguida, o elenco de Fallout, com Ella Purnell, Walton Goggins, Aaron Moten e Justin Theroux, mostrou cenas inéditas da 2ª temporada.
Por fim, o dia fechou com Timothée Chalamet e o diretor Josh Safdie, que apresentaram “Marty Supreme”. Chalamet entrou envolto na bandeira do Brasil. Duas cenas exclusivas foram exibidas.
Sábado… o dia mais cheio
O sábado abriu com a Crunchyroll e o “maior encontro de dubladores da história do palco”, segundo a organização. Wendel Bezerra cantou o “Kamehamehá” com o público. Além disso, a plateia viu trailers de “Jujutsu Kaisen”, “Frieren”, “Bungo Stray Dogs” e “Dr. Stone”.

À tarde, a Disney+ lotou o auditório. Teve dança em um metrô cenográfico e orquestra tocando o tema da Marvel. Foram exibidas cenas de “Demolidor” e de “Magnum”, com apresentação de Otaviano Costa. Depois, Sterling K. Brown, Dan Fogelman e Shailene Woodley falaram da 2ª temporada de “Paradise”, com estreia em 23 de fevereiro de 2026.
Ainda no Thunder, o dia teve:
- The Voice Brasil, com Tiago Leifert e Boninho, em um palco que virou musical;
- “Bruna Surfistinha 2”, com Deborah Secco e o diretor Marcus Baldini, e um trecho exclusivo;
- “Amor da Minha Vida”, com Bruna Marquezine e Romulo Estrela;
- The Boys, com Erin Moriarty, Laz Alonso, Karen Fukuhara, Tomer Capone, Colby Minifie e o criador Eric Kripke, e o trailer exclusivo da última temporada, que estreia em 8 de abril de 2026;
- Um painel de lutas, com Alex Pereira, o Poatan, Paul Giamatti e Peyton List.
No Palco Omelete, a Globo apresentou a novela “Coração Acelerado”, com estreia em 12 de janeiro. E Kathryn Newton, de Supernatural, foi ovacionada.
Domingo… o último dia
O domingo abriu leve, com a pré-estreia completa de “Tom & Jerry: Uma Aventura no Museu”. Depois, o Thunder celebrou os 10 anos de Miraculous, com o criador Thomas Astruc e dubladores brasileiros ao vivo. A Iron Studios revelou uma estátua comemorativa.
No Omelete, Raphael Montes contou que seu próximo livro será um thriller erótico “bem brasileiro”, e Misha Collins voltou ao palco pela quinta vez no Brasil. Ele disse que não existe nada igual aos brasileiros e foi até a plateia no fim.
A tarde teve os 10 anos do Globoplay, com “Emergência 53”, “Jogada de Risco”, a 2ª temporada de “Pablo e Luizão” e a novela vertical “Cinderela e o Segredo do Pobre Milionário”. Por fim, o Thunder encerrou 2025 com “It: Bem-vindos a Derry”. Pulseiras luminosas, balão vermelho e risada do Pennywise criaram o clima. A plateia ainda cantou parabéns para Chris Chalk.

Quadrinhos: Artists’ Valley, Blast! e Omni
Para quem ama HQ, a CCXP25 foi um banquete. O Artists’ Valley by Residiumm reuniu mais de 450 artistas, sendo 428 nas mesas e outros 30 só no estande da Chiaroscuro Studios.
No Palco Blast!, as editoras foram protagonistas. A Panini anunciou lançamentos de Marvel, DC e mangás, como “Wolverine: Arma X” em versão noir e a coleção de “Crise nas Infinitas Terras”. A Pipoca & Nanquim trouxe “Kuroda Sanjuurokkei”, “City Hunter” e “Cat’s Eye”. E a revista HERÓI anunciou um livro de mais de 300 páginas sobre Os Cavaleiros do Zodíaco, que fazem 40 anos.
Também rolaram encontros marcantes. Sara Pichelli, J.M. DeMatteis, Mike Deodato e Márcio Menyz celebraram o Homem-Aranha. Além disso, Rafael Albuquerque e Frank Martin falaram do universo Absolute, da DC. Já a Companhia das Letras apontou tendências como romances de esporte e romantasia.
No Palco Omni, Rafael Albuquerque celebrou 20 anos de carreira, e Marcatti lembrou quase 50 anos de autopublicação. O painel “Minando o Machismo” comemorou os 10 anos da Mina de HQ.
Cosplay, anime e K-pop no Palco Universe
O Palco Universe by Seara foi a casa da cultura asiática e dos cosplayers. O Torneio Cosplay Universe by Honda teve seletivas na quinta, na sexta e no sábado, com apresentação de Moo-Chan. A final, no domingo, pedia uma cena curta de cada finalista. Entre eles, estavam Pennywise, Kitana, Shao Kahn, Kratos e uma dobradinha de Wicked, com Elphaba e Glinda.

Além disso, o palco recebeu o debate sobre o “maior crush dos animes”, o painel dos 20 anos de Power Rangers SPD, com o roteirista Kyle Higgins, uma Batalha de Gerações de K-pop e um quiz de animações chinesas. Houve ainda a homenagem à dubladora Úrsula Bezerra, a “Tia Ú”, voz de Goku e Naruto, que falou da carreira e da vitória contra o câncer.
Palco Magic: batalhas medievais e pedidos de casamento
O pavilhão 8 virou um espaço à parte. No combate medieval do grupo “O Castelo”, a Casa Braguinha liderava por 40 a 0. Então, a Rainha mudou as regras e a última rodada passou a valer 1.000 pontos. A Casa Studart virou o jogo.
O Palco Magic também foi o espaço mais romântico do evento. No sábado, houve dois pedidos de casamento, incluindo um casal vestido de Wally. No domingo, a igreja cenográfica fez os últimos casamentos. Entre as brincadeiras, teve ainda o “Desafio dos Fandoms – Game of Thrones”.
Colecionáveis: o megapainel do Blast!
Quem coleciona saiu com a lista cheia. O megapainel de colecionáveis reuniu Hasbro, McFarlane Toys e Iron Studios. A McFarlane mostrou o trailer de “Avatar: Fogo e Cinzas”, enquanto a Iron Studios apresentou peças de Chaves, Chapolin, Star Wars e Marvel.
Estandes e marcas
A CCXP25 teve 139 marcas, o maior número da história do festival. Algumas ativações chamaram atenção:
- Cielo: a “Máquina de Mundos”, um percurso sobre a evolução dos meios de pagamento, do escambo ao Pix.
- Seara: o “Snack Time”, game controlado pela mente com tecnologia de EEG.
- Oppo: ativações inspiradas no Lado Sombrio da Força.
- 3 Corações: estande inspirado em Star Wars.
- Fiat: a experiência sensorial de Stranger Things.
Por fim, uma pesquisa citada pela organização apontou que mais de 70% dos visitantes ficaram interessados em uma marca após uma experiência positiva no festival.
Unlock CCXP: o lado dos negócios
Nos bastidores, o Unlock CCXP reuniu o mercado do entretenimento. O hub celebrou o “BPop”, a cultura pop brasileira em expansão. Os painéis falaram de inteligência artificial, com demonstrações ao vivo, e do encontro entre games e cinema. Também discutiram liderança de CEOs nas redes e a conexão entre Brasil e Coreia. Houve ainda uma conversa sobre o filme “Chico Bento e a Goiabeira Maravilhosa”, que já tem segundo longa em desenvolvimento.
Nossa avaliação: o que foi bom e o que pode melhorar
Vamos começar pelo que funcionou. A programação foi enorme e bem dividida entre cinema, séries, quadrinhos, animes e games. Além disso, o conteúdo nacional teve espaço de verdade. A estreia do Palco Blast! deu voz a quem fica de fora dos grandes estúdios. Por outro lado, a Spoiler Night teve um ponto fraco. Segundo a Gazeta SP, uma expositora disse que a organização da entrada precisava melhorar.
Nem tudo foi festa. Uma análise publicada na imprensa trouxe um olhar mais crítico sobre o festival. É um fato incontestável que a CCXP se firmou, ao longo de mais de uma década, como o grande palco para anúncios e para conteúdos em primeira mão de filmes e séries. Mas, o evento parece vivenciar uma debandada de parceiros. A Netflix, dona de alguns dos painéis mais disputados em outras edições, teria ficado de fora. Com isso, sobrou um buraco na programação.
Universal e Apple também não participaram. Já a Disney anunciou atrações em cima da hora e reduziu o estande a uma grande loja da Pixar, com preços considerados altos.
Marcas sem relação com o universo pop?
A mesma análise também reclama de quem ocupou espaço no pavilhão. Sobrou lugar para marcas que pouco têm a ver com o universo pop. Os estandes do Banco do Brasil e do Sebrae, por exemplo, teriam ficado tão grandes quanto os dos estúdios de Hollywood. Além disso, grandes lojistas ampliaram seus espaços, e os vendedores pequenos perderam área.

O resultado apareceu nas filas das ativações que combinavam com o evento. No começo da tarde de sábado, as brincadeiras de “The Boys” e de “Supergirl” tinham cerca de uma hora e meia de espera. Já a casa mal-assombrada de “It” chegava a quatro horas. Até o estande das balas Mentos teria 50 minutos de fila, e o público ainda criou uma fila informal só para entrar nela. Ou seja, uma fila para entrar em outra fila.
Problemas com o credenciamento e o veredito
Jornalistas, expositores e talentos foram reunidos no mesmo controle de identidade, e levou cerca de duas horas para pegar o crachá na noite de quarta-feira, a da Spoiler Night. Enquanto isso, funcionários simpáticos usavam camisetas com a pergunta “como posso salvar o dia?”. Bom… não salvaram. Esse relato conversa com a queixa sobre a organização da entrada que a Gazeta SP registrou naquela mesma noite.
Nossa opinião? Parece que a CCXP sofre com um mundo tomado pelo consumo e com uma indústria audiovisual que parece perdida na hora de divulgar seus conteúdos. Nesse cenário, jornalistas se misturam a influenciadores, e a comunicação tradicional divide espaço com “dancinhas de TikTok”, como se tudo tivesse o mesmo propósito.
Curiosidades da CCXP25
- A Spoiler Night foi na quarta, 3 de dezembro, e o evento abriu na quinta.
- Misha Collins distribuiu pães de queijo e subiu ao palco pela quinta vez no Brasil.
- Chalamet entrou no Thunder envolto na bandeira do Brasil.
- Fiat levou o Mundo Invertido de Stranger Things para dentro de um carro.
- A CCXP Korea foi anunciada para 2027, em Seul.
Para fechar: o que a CCXP25 deixou
A CCXP25 mostrou um festival cada vez maior e mais plural. Teve Hollywood, mas também teve HQ independente, dublagem, cosplay e casamento medieval. Saimos de lá com a sensação de que a CCXP já virou uma plataforma de negócios e comunidade.
E você? Foi na CCXP? O que você achou do evento, das experiências, dos painéis? Conta aí na seção de comentários.
Nota de transparência
O UBQ ainda não cobriu a CCXP na condição de imprensa. Estivemos nas edições de 2023, 2024 e 2025 como público; as demais foram acompanhadas à distância. Por isso, os relatos refletem nossa experiência como visitante, e o restante vem de fontes externas.
Para montar os textos, usamos os releases oficiais da assessoria de imprensa do evento e a cobertura de veículos que acompanharam os dias do festival. Conferimos os dados com fontes oficiais sempre que possível. Quando isso não foi possível, indicamos a origem da informação, como no caso do público final de 2025.
A seção “Um outro lado da CCXP” resume uma análise publicada pela Folha de São Paulo, e as críticas são do autor dela (Leonardo Sanchez). Os textos foram redigidos com apoio de ferramentas de inteligência artificial e revisados por nossa equipe.
Encontrou algum erro? Escreva para [ricardomarques@umblogqualquer.com.br]. Última atualização: [14/10/2026].