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Cartola (1976)

Buenas, todos bem? Bora falar de clássico? O álbum de hoje é Cartola, de 1976.

Uma herança que ocupa lugar na alma

Esse disco chegou até mim ainda na infância. Meu avô Oswaldo era doido por esse álbum e o ouvia sempre em sua casa. Sabe aquela herança indireta que fica e ocupa um lugar na alma? Aquela que traz a sensação de quentinho que só a nostalgia proporciona? Pois essa obra cumpre esse papel para mim.

O disco de hoje é, na modesta opinião deste que vos escreve, “uma das maiores obras-primas da música brasileira”. Trata-se do indefectível segundo álbum de Angenor de Oliveira, mundialmente conhecido como Cartola. Sim, o nome do álbum é o mesmo do compositor.

Do lavador de carros ao clássico do samba

Cartola escreveu grandes sambas para outros bambas e para sua escola de samba de coração, a Mangueira. Mesmo assim, só lançou o primeiro disco em 1974, quando já tinha mais de 60 anos e trabalhava como lavador de carros.

Cartola foi um dos grandes compositores do samba
Cartola foi um dos grandes compositores do samba

O álbum saiu pelo pequeno selo Discos Marcus Pereira, graças à ajuda do jornalista Maurício Kubrusly. Esse disco deu o impulso e a liberdade criativa para que Cartola gravasse sua obra-prima em 1976.

Os bastidores da gravação

Gravado no Rio de Janeiro, no Estúdio Haway, o álbum teve produção de Juarez Barroso, que morreu antes do lançamento. A direção musical ficou a cargo do enorme Dino 7 Cordas.

Segundo álbum de estúdio do genial sambista
Segundo álbum de estúdio do genial sambista

Cartola não se fez de rogado e montou um timaço para dar vida à sua poesia. Além do já citado Dino no violão de 7 cordas, o disco reúne alguns dos maiores bambas da música brasileira. Entre eles, Canhoto no cavaquinho, Altamiro Carrilho na flauta, Jorginho Pandeiro e Elton Medeiros nas percussões, além de um ainda novato Guinga, que toca violão magistralmente.

Sofisticação popular

Sambas e choros, amarrados por arranjos caprichados e de extremo bom gosto, fazem a cama para a poesia do carioca. Apesar da simplicidade, o disco é extremamente sofisticado, mas nada soa forçado. Aqui, o bom gosto é popular.

É a síntese da música brasileira: cabem flauta transversal e fagote em um samba com pandeiro, violão e cavaquinho, na maior simbiose possível. Há ritmo, poesia e melodias para acalentar o coração ou para se debulhar em lágrimas, a depender da faixa e do humor de quem o escuta.

As letras: amor, desencanto e esperança

As letras são o ponto alto do disco. Elas combinam amor, desencanto, passagem do tempo e reflexão sobre a vida, temas que sempre foram a base das composições de Cartola. Além disso, falam do amor dele pela Mangueira e pelo próprio samba.

Mesmo nas letras mais doloridas, como em “O mundo é um moinho”, a melancolia anda de mãos dadas com a esperança e com a ternura.

Legado e reconhecimento

O álbum reúne alguns dos maiores clássicos de Cartola e é o mais celebrado de sua longeva carreira. Por isso, artistas posteriores, como Cazuza e Marisa Monte, regravaram sambas dele e levaram o legado às novas gerações.

Da abertura com “O mundo é um moinho” ao fechamento com “Cordas de aço”, nenhuma música destoa do resto do álbum. Um clássico eterno.

Não à toa, a revista Rolling Stone Brasil o colocou em 8º lugar na lista dos 100 maiores discos da música brasileira, publicada em 2007. Já o podcast Discoteca Básica o posicionou em 11º lugar entre os 500 maiores álbuns brasileiros. A votação reuniu diversos especialistas e deu origem ao livro “Os 500 maiores álbuns brasileiros de todos os tempos”, organizado pelo jornalista Ricardo Alexandre.

Cartola é sinônimo de bom gosto e de samba da melhor qualidade. Pra ouvir hoje, amanhã e sempre. Mais do que obrigatório, essencial.

Logo menos tem mais.

Ficha técnica: Cartola (1976)

  • Lançamento: 1976
  • Gravadora/selo: Discos Marcus Pereira
  • Produção: Juarez Barroso
  • Estúdio: Haway
  • Direção musical, arranjos e violão de 7 cordas: Dino 7 Cordas (Horondino José da Silva)
  • Supervisão musical e mixagem: Norival Reis
Publicado em:Cultura Pop,Disco da Semana,Música

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