A 16ª edição da Brasil Game Show (BGS) chegou em 2025 com uma missão clara: se reinventar. Pela primeira vez, o maior evento de games das Américas deixou o Expo Center Norte e migrou para o Distrito Anhembi. O UBQ esteve presente e pôde sentir de perto essa mudança de ares. O balanço? Uma experiência mista que revela muito sobre os novos rumos do mercado de games no Brasil.
Números de Gigante e Nova Estrutura
Os números oficiais confirmam a força da marca. A BGS consolidou sua posição como o segundo maior evento de games do mundo em público:
- Visitantes: Mais de 306 mil pessoas passaram pelo Anhembi entre 9 e 12 de outubro.
- Conteúdo: 124 jogos apresentados, sendo 14 títulos inéditos de grandes estúdios e 67 títulos independentes na área BGS Indie.
- Engajamento: O evento contou com mais de 2.000 influenciadores e 1.000 cosplayers confirmados.
A mudança para o Anhembi fez bem à feira. O espaço ficou mais espalhado e organizado, eliminando a sensação de corredores claustrofóbicos. Mesmo concentrada em quatro dias (em vez dos tradicionais cinco), a feira pareceu mais pulsante e melhor distribuída. Apesar de alguns problemas pontuais. Mas falaremos isso mais à frente
O Protagonismo Inesperado: A Era Mobile e a Soberania da Nintendo
Ao caminhar pelo pavilhão, uma constatação é inevitável: a plataforma dominante da feira não foi um console de nova geração, mas o Smartphone. Gigantes como a Samsung (com um estande gigantesco) e ativações de jogos como PUBG Mobile, Clash Royale e Brawl Stars ditaram o ritmo.
Por outro lado, a Nintendo aproveitou o vácuo deixado pelas concorrentes diretas. Com um estande imponente e focado no ecossistema Switch, a “Big N” foi o porto seguro para quem buscava a experiência clássica de consoles, especialmente com a expectativa em torno do sucessor do Switch.
As Ausências que Pesam
Para um evento deste porte, sentimos falta de uma presença mais “ostensiva” das donas das plataformas. Sony e Microsoft não trouxeram estandes próprios focados em hardware. Vimos o PS5 e o Xbox Series X “escondidos” em ativações específicas ou parcerias, mas sem o protagonismo de anos anteriores.
Também notamos a ausência de grandes varejistas de hardware como KaBuM! e Terabyte. Quem soube aproveitar o espaço foi a TCL, que trouxe um estande muito bem estruturado, integrando TVs de alta performance ao universo gamer.
Experiência e Entretenimento: O Ponto Alto
Se o hardware foi tímido, o entretenimento deu um show à parte:
- Ícones Internacionais: A presença de Hideo Kojima foi o grande marco, acompanhado por Naoki Hamaguchi (Final Fantasy VII) e a compositora Yoko Shimomura.
- Música: O concerto de Final Fantasy foi um momento de pura emoção, e as apresentações da PlayStation The Concert reforçaram o lado cultural do evento.
- Ativações: Marcas como a Arcor garantiram a diversão com brincadeiras e experiências que iam além das telas, mantendo o público engajado durante todo o dia.
Pontos Positivos e de Atenção
A organização e limpeza do Anhembi foram nota dez. O apoio à acessibilidade, com intérpretes de Libras e suporte para PCDs, também merece destaque. No entanto, houve falhas pontuais em bebedouros logo no primeiro dia — algo crítico para um evento que atingiu lotação esgotada no sábado.
Algumas polêmicas
Apesar dos bons momentos, a BGS foi marcada também por algumas polêmicas. Talvez a mais relevante tenha sido a desorganização do Meet & Greet com Hideo Kojima, que gerou filas quilométricas, distribuição caótica de pulseiras e revolta de fãs. Muito relatos apontaram má gestão, falta de comunicação, superlotação e a ausência de grandes empresas de games, resultando em críticas à estrutura e alto custo do evento.
Outro ponto sensível é que, com o aumento dos custos, muitos participantes sentiram que a experiência oferecida não justificou o preço do ingresso, queixando-se da qualidade da organização e problemas estruturais. E muita gente da mídia sugere que a feira precisa se reinventar para continuar firme e forte no mercado e reencontrar sua identidade gamer.
Um Toque de Realidade: Transparência com a Audiência
Como sempre prezei pela transparência absoluta aqui no UBQ, preciso compartilhar um detalhe pessoal sobre esta cobertura. Se você sentiu que o volume de conteúdo da BGS 2025 foi um pouco mais contido do que em anos anteriores, existe uma razão humana por trás disso.
Na ocasião do evento, eu estava atravessando o momento mais difícil da minha vida, tendo perdido meus pais há pouco mais de um mês. Viver o luto enquanto se tenta manter a rotina profissional é um desafio hercúleo. Estar lá foi uma forma de honrar meu trabalho e buscar algum refúgio no que amo, mas reconheço que a cobertura ficou aquém do que eu gostaria de entregar. Agradeço a compreensão de cada um de vocês que segue comigo nessa jornada.
Veredito Final
A BGS 2025 sobrevive e prospera graças ao seu público cativo. É um evento que agora divide sua alma entre o festival de entretenimento e uma nova realidade de mercado dominada pelo mobile. Embora as ausências de grandes fabricantes deixem um gosto agridoce para os entusiastas de hardware, a feira se consolida como um ponto de encontro insubstituível.
Se você quer celebrar o passado, entender o presente e encontrar seus ídolos, a BGS continua sendo parada obrigatória. E para nós, do UBQ, foi um lembrete de que, mesmo nos momentos de silêncio, a paixão pelos games nos ajuda a seguir em frente.