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Nosso Hal 9000 continua nosso

Em sua obra “Space Odissey”, Arthur Clarke concebe um computador dotado de inteligência artificial, chamado Hal 9000, que dirigia a espaçonave Discovery pelo espaço. Em sua adaptação do livro para o cinema, Stanley Kubric fez de Hal 9000 um super vilão ao voltá-lo contra os humanos.

Criaturas que se voltam contra criadores são vezeiros em grandes histórias, desde Adão, na Bíblia, passando por Prometeu na Mitologia grega, num fenômeno que se repete e que quase acontece hoje em Houston, na partida entre Brasil e Japão.
Talvez seja exagero dizer que o futebol japonês foi criado por brasileiros.

Talvez podemos dizer que foi inspirado. Zico, Leão, Paulo Autuori e até um certo Alcindo, que até foi destaque no Flamengo, mas no Japão é estátua, anime e mangá até hoje, prestaram um relevantíssimo serviço ao esporte bretão, do Japão. De maneira que este dado é aceito e bastante reconhecido por lá.

E hoje eles jogaram que nem brasileiros, não como a Seleção, mas como os últimos campeões mundiais de clubes: com um terço da posse de bola, jogando por uma bola, geralmente nos pés de um semi desconhecido até que este indigitado faz o único gol do jogo, logrando o injustíssimo resultado em favor da equipe mais fraca.

Foi assim com o São Paulo em seu último mundial, vencido em 2005 quando Mineiro arrancou para cima do Liverpool, fazendo o gol do título. e também do Internacional, quando, no ano seguinte, Gabiru fez a mesma coisa para cima do Barcelona, relegando o time catalão, à época com Puyol, Deco e Ronaldinho Gaúcho para o vice campeonato.

Hoje, com apenas 30 % de posse de bola o volante Sano aproveitou erro da defesa inteira do Brasil, onde quem não chutou errado, se posicionou errado, e saiu correndo em direção à Alisson, sendo em seu caminho mui respeitosamente escoltado por Casimiro, que garantiu que o japa chegasse sem nenhum arranhão para fuzilar na entrada da área e marcar o gol japonês.

Japão na frente. O Brasil teria que virar o jogo, coisa que não fazia em Copas desde 2002 contra a Inglaterra, quando Lucio praticamente abriu o placar para eles.

Empatamos com o mesmo Casimiro, depois de tentar um peixinho que encontrou 350 japoneses embaixo das traves. Já íamos pelo segundo tempo, onde o Japão, mais cansado, mal ameaçou Alisson , mas caprichou na retranca, onde por vezes os onze – sim, os onze, estavam todos na grande área, acompanhados de Rayan, que tanta gente tinha perto de si, que foi pegar na bola no segundo tempo.

E eis um problemina deste time. A movimentação até que foi boa, mas foi pouca. Ante a uma retranca de mais responsa como a japonesa, isso quase nos desclassifica. As substituições deram ao time exatamente esta movimentação, como a que fez Bruno Guimarães descobrir Martinelli sofrendo de solidão na pequena área nipônica. Ele teve a calma de colocar para as redes nos estertores finais da porfia, numa frieza que se pode dizer, oriental.

Ufa, vamos ás oitavas, mas vamos aprender com essa vitória. Talvez tenha sobrado mais cansaço do que respeito aos senseis brazucas por parte do Japão. Se não chegou ao ponto da criatura se virar contra o criador, sem dúvida eles jogaram muito bem no que se propuseram e caíram como valentes samurais.

E de nossa parte, precisamos encontrar mais mobilidade e melhor saída de bola. Um time digno deste nome, pelo menos, já temos.

Publicado em:Crônicas,Entretenimento,Michelices,Uma Copa Qualquer

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