Existe um dito popular que afirma: para crescermos, às vezes é preciso dar um passo atrás e dois para a frente. Eu não discordo da lógica, mas acredito que, na prática, o que vivemos é diferente: damos dois passos para trás para conseguir avançar apenas um.
Para alguns, isso soa como um retrocesso. E, sinceramente? Eles não estão errados. Se estamos recuando, é porque algo não vai bem. Avançar novamente exige uma readaptação — um processo gradual de recuperação, como alguém que se cura de uma enfermidade.
E o UBQ esteve doente. Enfrentamos uma crise grave de identidade. No caminho, nos perdemos tentando achar uma “fórmula mágica” para audiência, métricas e inscritos. Esqueci que, quando criei este espaço, o objetivo era simples: ser um veículo plural, opinativo e, acima de tudo, divertido para quem faz e para quem consome.
Eu, como criador, me perdi buscando nos outros as respostas que estavam em mim. Ignorei o óbvio, mesmo quando alertado pelo meu colega Michel Vieira sobre o essencial: Periodicidade, Conteúdo e Compromisso (P, C & C).
Não importa o formato ou a plataforma. O que importa é publicar o que amamos, com regularidade e dedicação. Por muito tempo, tentei “curar” o UBQ com remédios errados. Agora, entendi que a cura é voltar dois passos, respeitar nossa essência e avançar um de cada vez. A partir de agora, deixamos de lado a obsessão por tendências e números. O Um Blog Qualquer, o canal de vídeos e o podcast Um Papo Qualquer voltam a ser espaços de livre manifestação.
O UBQ precisa se curar, e eu também. Não posso exigir que quem colabora comigo espere por esse processo indefinidamente. Sei que muitos estão desmotivados e não tenho mais desculpas. Mudanças profundas são necessárias porque, acima de tudo, o UBQ precisa voltar a ser divertido.