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Desfeitas e desditas

Primeiro falaremos de desfeita, depois falaremos de desdita.

Comecemos pela desfeita. A Assembleia Legislativa do Rio aprovou um projeto que muda o nome do estádio do Maracanã para Pelé. No fundo a desfeita continuará sendo feita a Pelé, pois todos continuaremos a chamar o estádio pelo nome do bairro onde se situa. A estrovenga da Alerj , que certamente tem mais o que fazer, humilha no entanto Mario Filho.

O jornalista pernambucano consagrado no Rio, foi um dos idealizadores do estádio. A ele também se credita a ideia dos desfiles das Escolas de Samba. Foi também dele a criação do nome “Fla-Flu” para denominar o que um dos dérbis nacionais de futebol. O Estádio foi inaugurado com o nome de Estádio Municipal, sendo consagrado pela massa com o nome da região do bairro da Tijuca onde corria um riacho chamado Maracanã – o bairro em volta do estádio cresceu depois.

Batizado com o nome do jornalista foi imortalizado nas crônicas de seu irmão, Nelson Rodrigues que nunca se referiu a ele de outra forma.

Em defesa da ideia imbecil pode-se dizer que aquele monstro de concreto erguido ali hoje não é o mesmo da década de 50, de tanta reforma pela qual passou, cada uma mais cara que a outra. Mas é. Está no mesmo lugar e ainda conserva a mística. Assim como a estátua de frente ao estádio é em homenagem a todos os campeões de 58, mas o povo se acostumou a chamá-la de Estátua do Bellini. Em nenhum lugar consta que a estátua homenageia apenas o capitão daquela seleção, mas que assim fique. Não seria uma desfeita aos outros.

Sem contar a desfeita a Maceió, cujo estádio municipal já se chama “Rei Pelé”. Ora, mas já não bastaria? E as outras homenagens ao “Atleta do Século 20” não chegam? Claro que não chegam. Pelé não é um ser humano qualquer. É um patrimônio mundial, não apenas brasileiro. Merece as honras que recebeu e ainda receberá. Mas não às custas de solapar registros e personagens históricos que também tiveram sua importância.

Por fim, terminemos com uma desdita. O termo “dita” quer dizer “sorte”, sendo “desdita” seu oposto, por óbvio significando “má-sorte”, “infortúnio”. Temos a desdita de termos um povo que elege estes deputados – e nem é privilégio da Alerj. O mesmo povo que enche o peito para dizer que uma coisa é o Edson, outra é o Pelé – como se isso não fosse óbvio – é o povo que esvazia a memória e nem se lembra como votou. Gentinha medíocre, gerando Assembléias com ideias medíocres.

Mario Filho certamente ficaria envergonhado com o tanto de dinheiro público roubado nas reformas do estádio que leva seu nome. Pelé também deve estar envergonhado de tudo isso – dos roubos e deste projeto de lei retardado. Ele ainda não se manifestou.

Fale alguma coisa, Edson…

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Publicado em:Crônicas,Opinião,Textões do Facebook

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