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Jules Rimet

Por ordem de nosso Editor, o UBQ vai publicar uma crônica falando sobre cada Copa do Mundo, mas focando em um personagem. Imaginamos que seria uma forma diferente de contar parte desta grande história e assim despertar seu interesse. Esperamos que gostem. Para o texto de abertura, falaremos de (ou da)…

Jules Rimet

Não, não falaremos do advogado francês que quando era o terceiro presidente da FIFA promoveu a primeira Copa do Mundo no Uruguai, em 1930. Assim o fez para aproveitar o apelo do Uruguai, na época bicampeão olímpico, mas também e talvez principalmente para sair da influência do Comitê Olímpico Internacional, que dois anos antes acabara de realizar a sétima edição de seu torneio mundial de futebol dentro das Olimpíadas de Armsterdã. A FIFA queria contar com jogadores profissionais em seus torneios, coisa que o COI não permitia. Pelo sim pelo não, levou o Torneio para o Uruguai, lugar onde o Comitê Olímpico nem devia saber onde ficava.

Pesou também o fato do governo uruguaio pagar o transporte e estadia das seleções que quisessem ir – não teve eliminatórias – e ainda assim só quatro europeus se comoveram: França, Bélgica, Romênia e Iugoslávia. Foi construído especialmente para o evento o Estádio Centenário, em Montevidéu, assim chamado porque em 1930 a constituição do Uruguai faria 100 anos. A gente acha esta informação meio fake, já que por este continentinho de meu Deus, as constituições não costumam durar tanto.

Falaremos aqui do troféu que seria entregue ao vencedor do Torneio. Ele foi confeccionado pelo francês Abel Lafleur, e levava quatro quilos de ouro. Representa a deusa da Vitória, Nice, segurando uma… copa. É que “copa” é um tipo de vaso, que se assemelha a um copo – daí os troféus serem chamados também de “taça”. Por conta de uma figura de linguagem chamada “metonímia” podemos trocar o uso de uma palavra por outra desde que estejam próximas em seus significados. Assim, se o troféu tem a forma de uma taça pode ser chamado de “taça”, e da mesma forma, se esta taça representa a conquista de um torneio, este torneio pode ser chamado de “taça”. Ou de “copa”. Deu para entender? Vai cair no ENEM.

Bom, a taça que mostra a deusa alada Nice (do grego “Nike”. Pois é.), foi entregue pela primeira vez ao capitão da seleção uruguaia, Nasazzi. Dizer que ele foi o primeiro a levantá-la também seria uma incongruência, pois este gesto seria inaugurado por nosso Bellini na Copa de 58 – e ele nem sabia que estava eternizando um gesto, pois a intenção era erguer a taça para melhor mostrá-la aos fotógrafos.

A Taça Jules Rimet recebeu o nome do presidente da FIFA só em 46. Ele foi portanto homenageado em vida , pois só morreria dez anos depois, em 56, dois anos antes de ver (do céu) o Brasil conquistá-la na Suécia, dez anos antes dela ser roubada pela primeira vez em plena copa da Inglaterra e ser recuperada por um cão farejador; quatorze anos antes dela vir para nossas mãos de forma definitiva no México e vinte e oito anos antes de sumir para sempre, uma vez que bandidos a roubaram da sede da CBF e a derreteram em 83.

Com a Taça nova, chamada “Copa Fifa”, inaugurada em 74 na Copa da Alemanha, o sistema é o seguinte: na Federação do país atual campeão fica uma réplica. A original fica na sede, na Suíça, protegidérrima, e só sai em épocas de Copa.
Afinal de contas, vai que…

Copa do Mundo de 1930.

  • Sede: Uruguai
  • Período: de 13/07 a 30/07/30
  • Campeão: Uruguai; Vice: Argentina.
  • Colocação do Brasil: 6º lugar.

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Publicado em:Crônicas,Uma Copa Qualquer

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