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Uma Copa Qualquer: Decisão Grupo I

Estamos quase no final da fase de grupo. E agora vamos com a decisão do Grupo I de Uma Copa Qualquer. Já classificados, Noruega e França se enfrentaram em jogo para definir quem seria o líder do grupo. No outro jogo, Senegal e Iraque fizeram o jogo dos desesperados, pois sem pontos precisam vencer e contar com a possibilidade de classficação como um dos melhores terceiros colocados.

A gente conta estas histórias pra você.

A História de Noruega x França

Com show de Dembélé, França goleia a Noruega e avança como líder do grupo. Melhor jogador do mundo ofusca Mbappé e desencanta diante dos reservas noruegueses.

Noruega 1 x 4 França

A rodada decisiva do Grupo I colocou frente a frente duas seleções já classificadas para o mata-mata da Copa do Mundo, mas que ainda disputavam a liderança da chave no Gillette Stadium, em Foxborough. Historicamente marcada por grandes confrontos europeus, a partida trazia uma expectativa enorme pelo duelo de artilheiros da competição. Contudo, enquanto a França mandou a campo sua força máxima para consolidar o favoritismo, a Noruega optou por uma estratégia arriscada, poupando seus principais nomes do elenco.

O recital de Dembélé

A França iniciou o confronto em ritmo avassalador e não demorou a sufocar os reservas da Noruega. Logo aos 20 segundos de jogo, Kylian Mbappé carimbou o travessão em uma descida veloz. Pouco depois, aos três minutos, Koné obrigou o goleiro Selvik a operar uma grande defesa. A pressão resultou em gol aos sete minutos, quando Ousmane Dembélé recebeu livre pela ponta direita após assistência de Mbappé e chutou forte para abrir o placar.

A Noruega teve a oportunidade de igualar o marcador aos 13 minutos, mas Larsen desperdiçou uma chance claríssima, sem marcação, na pequena área. O castigo foi imediato: aos 20 minutos, Dembélé fez excelente jogada individual pelo lado direito, cortou para o meio e bateu cruzado de pé esquerdo, ampliando para 2 a 0. No minuto seguinte, aproveitando um momento de desatenção da defesa francesa na saída de bola, Aasgaard encontrou espaço e descontou para os noruegueses. Apesar do susto, o domínio continuou inteiramente com a seleção azul. Aos 32 minutos, Dembélé limpou a marcação com paciência na área e chutou cruzado para selar o seu hat-trick e consagrar uma atuação impecável na primeira etapa.

Pênalti perdido e goleada consolidada

Na volta do intervalo, os nórdicos adotaram uma postura mais agressiva e tiveram a chance de ouro para mudar os rumos do jogo quando Bobb sofreu pênalti aos dois minutos. No entanto, Larsen cobrou mal no canto esquerdo, facilitando a defesa do goleiro Maignan. O lance acabou com o ímpeto de reação da Noruega.

Com a vantagem confortável, o ritmo da partida caiu. No banco francês, o auxiliar Guy Stéphan — encarregado de comandar a equipe devido à ausência de Didier Deschamps, liberado para o funeral de sua mãe — passou a administrar o elenco e poupar seus principais titulares. Nos acréscimos, aos 49 minutos, a superioridade técnica francesa foi premiada mais uma vez: Doué subiu bonito para cabecear no ângulo, transformando a vitória em uma sonora goleada por 4 a 1.

Dembelé faz três gols na vitória sobre a Noruega - Foto: Mattia Ozbot/AFP
Dembelé faz três gols na vitória sobre a Noruega – Foto: Mattia Ozbot/AFP

Sob a liderança técnica de Dembélé, que agora soma quatro gols no Mundial e divide os holofotes com os principais artilheiros, a seleção bicampeã mundial vai com moral elevada para a fase eliminatória. A decisão de poupar Erling Haaland e os demais titulares acabou cobrando um preço alto no chaveamento do mata-mata. Mas apesar disso, eles incontestavelmente estão credenciados com algum favoritismo para sua continuidade da copa.

Ficha Técnica: Noruega 1 x 4 França

  • Noruega: Selvik; Aursnes, Falchener (Langaas), Östigaard e Björkan (Thorsby); Berg, Thorstvedt (Pedersen) e Aasgaard; Bobb (Nusa), Larsen e Schjelderup (Hauge). Técnico: Staale Solbakken.
  • França: Maignan; Koundé (Gusto), Upamecano (Konaté), Lacroix e Theo Hernández; Koné e Tchouaméni; Dembélé (Barcola), Olise (Cherki) e Doué; Mbappé (Mateta). Técnico: Guy Stéphan (auxiliar).
  • Gols: Dembélé aos 7′, 20′ e 32′ do 1ºT (França); Aasgaard aos 21′ do 1ºT (Noruega); Doué aos 49′ do 2ºT (França).
  • Árbitro: Michael Oliver (ING).
  • Cartões Amarelos: Berg (Noruega); Tchouaméni (França).
  • Decisões críticas do VAR: Validação da marcação do pênalti a favor da Noruega cometido sobre Bobb no início do segundo tempo.
  • Local: Gillette Stadium, em Foxborough (EUA).
  • Público: 64.146 presentes.

A História de Senegal x Iraque

Senegal passeia em Toronto, goleia o Iraque por 5 a 0 e ganha sobrevida na Copa do Mundo 2026.

Senegal 5 x 0 Iraque

Com show de Pape Gueye na etapa final, os Leões de Teranga aproveitam expulsão precoce de zagueiro iraquiano, garantem saldo positivo e aguardam desfecho dos outros grupos para carimbar vaga no mata-mata como um dos melhores terceiros colocados

A busca pela sobrevivência africana

O duelo no BMO Field colocou frente a frente duas seleções em situações dramáticas na rodada decisiva do Grupo I. Considerada uma das grandes forças do continente africano ao lado de Marrocos, a seleção de Senegal decepcionou nas duas primeiras rodadas ao acumular derrotas para França e Noruega. Apenas uma vitória expressiva manteria vivo o sonho da classificação. Do outro lado, o Iraque comemorava o retorno ao Mundial após um longo hiato de 40 anos, mas acabou caindo em uma das chaves mais complexas do torneio e buscava se despedir de forma honrosa.

Gol relâmpago e intervenção crucial do VAR

O confronto começou em ritmo elétrico e a estratégia senegalesa funcionou logo de cara. Aos 3 minutos, Habib Diarra recebeu pelo lado direito e descolou um cruzamento na medida para Abdoulaye Seck cabecear firme, estufando as redes e abrindo o placar para os africanos. O cenário, que já era favorável, desmoronou completamente para os asiáticos aos 12 minutos. O zagueiro Rebin Sulaka errou feio na saída de bola e acabou desarmado por Sané. Para evitar que o atacante saísse cara a cara com o gol, o defensor puxou a camisa do adversário. Inicialmente, o árbitro Anthony Taylor aplicou o cartão amarelo, mas foi chamado pelo VAR. Após revisar o lance na cabine, o juiz inglês anulou a advertência e aplicou o cartão vermelho direto.

Com um homem a mais durante quase 80 minutos, a expectativa era de uma pressão avassaladora de Senegal, mas o ritmo do jogo caiu. Os comandados de Pape Thiaw preferiram valorizar a posse de bola com passes seguros e sem arriscar muito na linha de frente. O craque Sadio Mané ainda chamou a responsabilidade e criou três boas oportunidades individuais, mas a barreira defensiva armada pelo Iraque funcionou e segurou a desvantagem mínima até o intervalo.

Mudanças certeiras e avalanche de gols

Na volta para a etapa final, os Leões de Teranga decidiram transformar o domínio territorial em bola na rede. Logo aos 10 minutos, Lamine Camara foi valente na intermediária, roubou a bola no campo de ataque e acionou Ismaila Sarr. O atacante do Crystal Palace apareceu completamente livre na grande área e finalizou com estilo para marcar o segundo gol. Logo após ampliar, o técnico Pape Thiaw promoveu quatro alterações simultâneas para dar fôlego novo ao time.

A mexida foi cirúrgica. Em seu primeiro toque na bola, aos 13 minutos, o volante Pape Gueye dominou na entrada da área e acertou um belíssimo chute colocado de perna esquerda, marcando um golaço. O massacre continuou e, aos 25 minutos, o próprio volante do Villarreal apareceu de surpresa dentro da pequena área para escorar o cruzamento preciso de Ismail Jakobs e assinar o quarto gol. Na base do ataque contra defesa, Sadio Mané quase deixou o dele, mas a finalização explodiu na trave. O golpe de misericórdia veio aos 36 minutos: Iliman Ndiaye recebeu pelo meio sem nenhuma contestação e soltou uma bomba de longa distância para fechar a conta em Toronto.

Sulaka é expulso após intervenção do VAR - Foto: Benoit Tessier/REUTERS
Sulaka é expulso após intervenção do VAR – Foto: Benoit Tessier/REUTERS

Ficha Técnica: Senegal 5 x 0 Iraque

  • Senegal: Mory Diaw; Krepin Diatta, Abdoulaye Seck (Ciss), Moussa Niakhate e Ismail Jakobs; Gana Gueye, Lamine Camara (Jackson) e Habib Diarra (Pape Gueye); Mbaye (Iliman Ndiaye), Sadio Mané e Ismaila Sarr (Diao). Técnico: Pape Thiaw.
  • Iraque: Ahmed Basil (Jalal Hassan); Rebin Sulaka, Akam Hashim, Frans Putros e Merchas Doski; Ibrahim Bayesh, Zidane Iqbal e Amir Alammari; Ali Alhamadi (Ali Yousif), Ali Jasim (Maknzi) e Ahmed Qasem (Manaf Younis). Técnico: Radhi Shenaishil.
  • Gols: Abdoulaye Seck aos 3′ do 1ºT; Ismaila Sarr aos 10′ do 2ºT, Pape Gueye aos 13′ e aos 25′ do 2ºT, e Iliman Ndiaye aos 36′ do 2ºT.
  • Árbitro: Anthony Taylor (ING).
  • Cartões Amarelos: Abdoulaye Seck e Pape Gueye (Senegal); Merchas Doski (Iraque).
  • Cartão Vermelho: Rebin Sulaka aos 12′ do 1ºT (Iraque).
  • Decisões críticas do VAR: O árbitro de vídeo recomendou a revisão da falta cometida por Rebin Sulaka no primeiro tempo, resultando na alteração do cartão amarelo para vermelho direto por interrupção de oportunidade clara de gol.
  • Local: BMO Field, em Toronto (CAN).
  • Público: 43.036 presentes.

Situação do Grupo I

Com o resultado incontestável, a França carimbou a liderança isolada do Grupo I com nove pontos conquistados e manteve os 100% de aproveitamento na competição. Os franceses voltam a campo na próxima terça-feira, às 18h (de Brasília), no MetLife Stadium, para enfrentar um dos melhores terceiros colocados (com a Suécia despontando como provável adversária).

A Noruega avançou na vice-liderança da chave com seis pontos. Ao terminar na segunda posição, os noruegueses foram empurrados para o mesmo lado do Brasil nos cruzamentos decisivos. A seleção nórdica fará um confronto direto contra a Costa do Marfim na terça-feira, às 14h (de Brasília), em Arlington. Caso confirme o favoritismo e avance de fase, a Noruega poderá cruzar o caminho da Seleção Brasileira logo nas quartas de final do torneio.

Com a vitória por 5 a 0, Senegal encerrou sua participação no Grupo I na terceira colocação com três pontos somados. Mais do que os três pontos, os africanos alcançaram um saldo positivo de dois gols, fator que costuma ser o grande diferencial na linha de corte do torneio.

Situação final do Grupo I
Situação final do Grupo I

Os senegaleses ocupam temporariamente o quinto lugar na tabela dos melhores terceiros e precisam apenas que um dos cinco grupos restantes (G, H, I, J e K) termine com um terceiro colocado de campanha inferior para carimbar o passaporte rumo aos 16-avos de final.

Já o Iraque se despede de forma dolorosa da América do Norte, amargando a lanterna da chave sem somar pontos e com 12 gols sofridos em três exibições.

Publicado em:Entretenimento,Uma Copa Qualquer

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