Na sequência das decisões da fase de grupos, vamos com a decisão do Grupo H de Uma Qualquer. Cabo Verde enfrentou a Arábia Saudita e ficou no empate sem gols. E ao mesmo tempo, a Espanha venceu o Uruguai por 1 a 0, decretando o destino da seleção uruguaia.
A gente conta estas histórias pra você.
A História de Cabo Verde x Iraque
Cabo Verde empata com a Arábia Saudita e conquista classificação histórica.

A maior Copa do Mundo de todos os tempos continua sendo o palco perfeito para histórias inacreditáveis. Em sua primeira participação no torneio, a seleção de Cabo Verde alcançou um feito memorável: segurou o empate por 0 a 0 contra a Arábia Saudita no NRG Stadium, em Houston, e se classificou para as oitavas de final.
Com o resultado, somado à derrota do Uruguai para a Espanha no outro jogo da chave, os Tubarões Azuis garantiram de forma invicta a segunda colocação do Grupo H. Agora, o arquipélago de apenas 500 mil habitantes se prepara para um duelo de gigantes: enfrentará a Argentina de Lionel Messi na fase de mata-mata. A Arábia Saudita, por sua vez, encerra sua participação eliminada na lanterna do grupo.
Muito estudo e pouca criatividade ofensiva
A obrigação de buscar o resultado pesou para os dois lados, deixando o início da partida truncado e nervoso. Sem muita inspiração de parte a parte, as duas equipes encontraram sérias dificuldades para propor o jogo e criar chances reais. Foram mais de 20 minutos de muito combate no meio-campo e nenhuma finalização.
A Arábia Saudita tentou assustar primeiro em jogada de Salem Al-Dawsari, que acabou travado pela marcação na hora do chute. Cabo Verde respondeu pouco depois com o atacante Semedo, que arriscou uma batida rasteira de dentro da área e exigiu uma boa defesa do goleiro Al-Owais. O primeiro tempo terminou com um futebol abaixo do esperado, justo no placar fechado.
Substituições ousadas e o milagre no contra-ataque
Na etapa final, o panorama mudou e o confronto ganhou em emoção. Cabo Verde voltou mais agressivo e começou a rondar a área saudita. O técnico Pedro ‘Budista’ Leitão resolveu ousar: sacou os velocistas Semedo e Livramento para as entradas de Hélio Varela e Nuno da Costa.
As alterações deram mais fôlego aos africanos. O lance mais bonito do jogo veio após uma arrancada em alta velocidade de Hélio Varela, que serviu Laros Duarte cara a cara com o gol. O meia finalizou forte, mas o goleiro Al-Owais operou um verdadeiro milagre para salvar a Arábia Saudita. Nos minutos finais, a tensão tomou conta do estádio com os sauditas se lançando ao ataque e exigindo segurança do goleiro Vozinha. No último minuto dos acréscimos, Nuno da Costa ainda teve a chance de ouro para abrir o placar, mas acabou desperdiçando o gol feito.
Apito final e a festa monumental dos Tubarões Azuis
Com o fim do jogo em Houston, os atletas cabo-verdianos se reuniram no gramado e aguardaram ansiosamente pelo encerramento de Espanha x Uruguai. Assim que a derrota dos uruguaios foi confirmada, a emoção tomou conta do NRG Stadium.

A torcida nas arquibancadas e os jogadores celebraram intensamente a vaga histórica. Uma trajetória invicta que começou com um empate heróico diante da Espanha, passou por outro grande resultado contra o Uruguai e terminou coroada com a merecida vaga nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026.
Ficha Técnica: Cabo Verde 0 x 0 Arábia Saudita
- Cabo Verde: Vozinha; Wagner Pina, Borges, Pico Lopes e João Paulo; Kevin Pina, Deroy Duarte, Jamiro Monteiro (Laros Duarte) e Ryan Mendes (Garry Rodrigues); Semedo (Hélio Varela) e Livramento (Nuno da Costa). Técnico: Pedro ‘Budista’ Leitão.
- Arábia Saudita: Al-Owais; Abdulhamid, Al-Amri, Al-Tambakti (Ali Lajami) e Washl (Moteb Al-Harbi); Kanno, Al-Khaibari (Al-Juwayr) e Nasser Al-Dawsari; Al-Buraikan, Mandash (Al-Hamdan) e Salem Al-Dawsari (Al-Shamat). Técnico: Georgios Donis.
- Gols: Nenhuma equipe marcou gol
- Árbitro: François Letexier (FRA).
- Cartões Amarelos: Wagner Pina (Cabo Verde); Al-Buraikan, Nasser Al-Dawsari e Abdulhamid (Arábia Saudita).
- Decisões críticas do VAR: Sem ocorrências com interferência no resultado final do jogo.
- Local: NRG Stadium, em Houston (EUA).
- Público: 68.278 presentes.
A História de Uruguai x Espanha
Espanha vence com falha de Muslera, garante liderança e elimina Uruguai em meio a crise.

A Espanha confirmou o favoritismo e carimbou o passaporte para as oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 na liderança do Grupo H. Em partida disputada no Estádio Akron, em Zapopan, a Fúria venceu o Uruguai por 1 a 0, gol marcado por Álex Baena, após um erro grave do goleiro Fernando Muslera. O resultado decretou a eliminação precoce da Celeste Olímpica, que se despede do Mundial sem vencer uma única partida e mergulhada em uma forte crise interna.
Crise nos bastidores e pressão em Zapopan
O confronto decisivo começou sob a sombra de um ambiente extremamente conturbado na seleção sul-americana. Relatos da imprensa uruguaia apontavam para uma forte insatisfação do elenco com os métodos do técnico Marcelo Bielsa. Dentro de campo, a pressão era nítida. Precisando da vitória para avançar, o Uruguai tentou se fechar na defesa para explorar os contra-ataques, enquanto a Espanha mantinha a sua tradicional proposta de controle de posse de bola.
O primeiro tempo foi de pouca inspiração e excesso de estudo. A situação uruguaia começou a se complicar antes mesmo do intervalo, quando o meio-campista Manuel Ugarte sofreu uma aparente lesão no joelho e precisou ser retirado de campo de maca, dando lugar a De la Cruz.
O frango de Muslera e a decisão de Bielsa
Quando a etapa inicial se encaminhava para um empate sem gols, o destino do jogo foi selado por um erro individual. Aos 42 minutos, Álex Baena arriscou um chute de dentro da área. A finalização saiu fraca, mas o veterano goleiro Fernando Muslera, de 40 anos, falhou clamorosamente ao tentar fazer a defesa e aceitou. Foi o terceiro erro grave do arqueiro no torneio.
A falha custou caro para o goleiro. Irritado com o lance, Marcelo Bielsa não hesitou e substituiu Fernando Muslera pelo goleiro Rochet, do Internacional, ainda no intervalo. Abatido, o titular sequer retornou para acompanhar o segundo tempo no banco de reservas.
Desespero uruguaio e tensão no fim
Precisando da virada a todo custo, o Uruguai voltou para o segundo tempo tentando pressionar, mas exibia pouca organização coletiva. A insatisfação do grupo ficou ainda mais evidente quando o astro Fede Valverde foi substituído por Federico Viñas aos 10 minutos e demonstrou clara irritação com a decisão da comissão técnica, sob vaias da torcida presente.
A Espanha, por sua vez, administrava o ritmo e assustava nos contragolpes. Ferran Torres, que entrou na vaga do poupado Lamine Yamal, quase ampliou ao acertar uma bola carimbada no travessão nos minutos finais. O goleiro Unai Simón também apareceu bem quando exigido em chute de fora da área de De la Cruz.
O clima esquentou de vez nos acréscimos. Os uruguaios reclamaram muito de um possível pênalti sofrido por Federico Viñas dentro da área. Pouco depois, o atacante Agustín Canobbio, do Fluminense, acabou expulso de campo após uma falta dura no zagueiro espanhol Pau Cubarsí, gerando uma revolta generalizada que precisou ser contida pelos companheiros de equipe e pela arbitragem até o apito final.

Ficha Técnica: Uruguai 0 x 1 Espanha
- Uruguai: Muslera (Rochet); Varela, Cáceres, Mathías Oliveira e Sanabria (Brian Rodríguez); Ugarte (De la Cruz), Betancur e Valverde (Viñas); Canobbio, Darwin Núñez e Maxi Araújo. Técnico: Marcelo Bielsa.
- Espanha: Simón; Llorente, Cubarsí, Laporte e Cucurella; Rodri, Merino (Fabián Ruiz), Baena (Pino) e Pedri (Olmo); Yamal (Ferran Torres) e Oyarzabal (Nico Williams). Técnico: Luis de la Fuente.
- Gol: Álex Baena (aos 42′ do 1º tempo).
- Árbitro: Ismail Elfath (EUA).
- Cartões Amarelos: Sanabria, Varela, De la Cruz (Uruguai); Álex Baena (Espanha).
- Cartão Vermelho: Agustín Canobbio (Uruguai).
- Decisões críticas do VAR: O árbitro de vídeo checou e validou a expulsão direta aplicada a Agustín Canobbio após a falta dura em Pau Cubarsí nos acréscimos do segundo tempo. O VAR também analisou de forma silenciosa o lance de queda de Federico Viñas dentro da área espanhola e concordou com a decisão de campo do árbitro Ismail Elfath de não assinalar a penalidade máxima para o Uruguai.
- Local: Estádio Akron, em Zapopan (México).
- Público: 45.065 presentes.
Como ficou o Grupo H?
Com a vitória, a Espanha encerra a fase de grupos com sete pontos conquistados, assegurando o topo do Grupo H. O Uruguai se despede melancolicamente da competição na terceira posição do grupo, com apenas dois pontos somados, ficando fora até mesmo do corte dos melhores terceiros colocados. A segunda vaga da chave ficou com a histórica seleção de Cabo Verde, que empatou com a Arábia Saudita, também eliminada, e avançou de fase.
