Hoje foi um dia recheado de jogos em mais Uma Copa Qualquer. A rodada de 14/06 teve simplesmente 5 jogos. E todos os jogos com gols. O dia começou com uma vitória sólida da Austrália sobre a Turquia por 2 a 0. Depois a Alemanha atropelou a estreante em Copas, Curaçao pelo placar de 7 a 1. Em seguinda, um jogo muito equilibrado entre Holanda e Japão que terminou empatado em 2 a 2. O Equador foi surpreendido pela valente Costa do Marfim que venceu por 1 a 0 e por fim, a Suécia surpreendeu e goleou a Túnisia por 5 a 1. Vamos contar estas histórias…
A História de Austrália x Turquia
Quem olhava para o papel antes da bola rolar no Canadá imaginava uma festa turca. Afinal, a Turquia voltou ao Mundial após 24 anos com uma geração recheada de estrelas como Arda Güler (Real Madrid) e Hakan Çalhanoğlu (Inter de Milão). Mas o futebol é jogado em campo, e a Austrália deu uma aula de eficiência para vencer por 2 a 0 na estreia do Grupo D.

Quem não faz, toma
O jogo seguiu uma cartilha muito clara: a Turquia pressionava e a Austrália se defendia. Para você ter uma ideia, os turcos tiveram 66% de posse de bola e finalizaram impressionantes 30 vezes! Mas o futebol premia quem coloca a bola na rede, e a muralha australiana, liderada por uma atuação inspirada do goleiro Beach, segurou a onda.
O primeiro golpe: Aos 26 minutos do primeiro tempo, logo após um susto da Turquia, a Austrália encaixou um contra-ataque fulminante. O jovem Nestory Irankunda saiu cara a cara com o goleiro e abriu o placar.
O balde de água fria: No segundo tempo, a pressão turca aumentou, mas a defesa da Oceania continuou intransponível. Aos 29 minutos, veio o castigo definitivo. Metcalfe recebeu com espaço e mandou um belo chute de fora da área: 2 a 0 e fim de papo.

Uma história que vai além do campo
O grande nome do jogo foi o garoto Nestory Irankunda, de apenas 20 anos. O autor do primeiro gol nasceu em um campo de refugiados na Tanzânia e hoje é tratado como a maior promessa da história do futebol australiano. Estrear em uma Copa do Mundo fazendo gol é o tipo de roteiro que só o futebol consegue escrever.
Como fica o grupo?
Com o resultado, a Austrália soma seus primeiros 3 pontos e assume a vice-liderança do Grupo D. O líder é o Estados Unidos (que goleou o Paraguai por 4 a 1 e tem melhor saldo de gols).
Ficha Técnica: Austrália 2 x 0 Turquia
- AUSTRÁLIA – Beach; Circati, Souttar e Burgess; Italiano (Geria), Metcalfe, O’Neill, Okon-Engstler (Irvine) e Bos (Behich); Touré (Yengi) e Irankunda (Velupillay). Técnico: Tony Popovic.
- TURQUIA – Cakir; Celik (Müldür), Demiral, Bardakci e Kadioglu; Kökçü (Akgün), Yüksek (Özcan), Calhanoglu, Yilmaz (Yildiz) e Güler; Aktürkoglu (Gül). Técnico: Vincenzo Montella.
- GOLS – Irankunda, aos 26 minutos do primeiro tempo; Metcalfe, aos 29 minutos do segundo tempo.
- ÁRBITRO – Jesus Valenzuela (VEN).
- CARTÕES AMARELOS – Akgün (Turquia).
- LOCAL – Bc Place Stadium, em Vancouver, no Canadá.
- PÚBLICO – 52.497.
A História de Alemanha x Curaçao
A história tem dessas coisas que parecem escritas por um roteirista com senso de humor bem peculiar. Doze anos depois daquele inesquecível e doloroso 8 de julho de 2014 no Mineirão, a Alemanha voltou a carimbar o placar de 7 a 1 em uma Copa do Mundo. A vítima da vez, neste domingo em Houston, foi a estreante e valente seleção de Curaçao.
Mas se você pensa que o clima no NRG Stadium foi de enterro, errou feio. Para o pequeno país caribenho de menos de 200 mil habitantes, o jogo foi histórico por um motivo muito mais nobre do que a goleada sofrida.

O dia em que Curaçao tocou o céu
A Alemanha, como era de se esperar, começou avassaladora e abriu o placar logo aos 5 minutos com Felix Nmecha. Parecia o início de um monólogo. Porém, aos 20 minutos, aconteceu o inimaginável: em uma escapada caribenha, a bola sobrou na entrada da área e Livano Comenencia soltou a bomba. A bola desviou, tirou qualquer chance de defesa do lendário Manuel Neuer e foi para a rede.
Curaçao empatava o jogo contra a tetracampeã do mundo. A torcida caribenha explodiu nas arquibancadas, celebrando o primeiro gol da história do país em Mundiais. Uma memória eterna para a ilha.
A máquina alemã engrena
O susto acordou os alemães, que voltaram a impor sua gigantesca superioridade técnica. Antes do intervalo, Schlotterbeck (de cabeça) e Havertz (de pênalti) já haviam colocado o placar em 3 a 1.
Na segunda etapa, o cansaço bateu na equipe caribenha e a Alemanha sobrou em campo. Com menos de um minuto, Musiala fez o quarto. Depois, foi a vez de Nathaniel Brown, Deniz Undav e, novamente, Kai Havertz (com uma linda cavadinha para fechar a conta) transformarem a vitória em um passeio de 7 a 1.
Com o resultado, além de assumir a liderança isolada do Grupo E, a Alemanha ultrapassou o Brasil e se tornou a seleção com mais gols na história das Copas do Mundo, somando 239 gols contra 238 dos brasileiros.
Festa apesar da derrota
Ao apito final, uma cena linda chamou a atenção: mesmo com o placar elástico, os jogadores de Curaçao foram até as arquibancadas e foram aplaudidos de pé por seus torcedores. A Copa do Mundo também é sobre isso: celebrar o direito de estar entre os maiores do planeta.

Ficha Técnica: Alemanha 7 x 1 Curaçao
- ALEMANHA: Manuel Neuer; Joshua Kimmich (Waldemar Anton), Jonathan Tah (Antonio Rüdiger), Nico Schlotterbeck e Nathaniel Brown (David Raum); Aleksandar Pavlovic e Felix Nmecha (Leon Goretzka); Leroy Sané, Jamal Musiala (Deniz Undav) e Florian Wirtz; Kai Havertz. Técnico: Julian Nagelsmann.
- CURAÇAO: Eloy Room; Sherel Floranus, Riechedly Bazoer, Armando Obispo e Deveron Fonville; Leandro Bacuna, Tahith Chong (Gervane Kastaneer), Livano Comenencia, Juninho Bacuna e Sontje Hansen (Jeremy Antonisse); Jurgen Locadia (Jearl Margaritha). Técnico: Dick Advocaat.
- GOLS: Felix Nmecha (5′ 1ºT), Nico Schlotterbeck (37′ 1ºT), Kai Havertz (49′ 1ºT e 42′ 2ºT), Jamal Musiala (1′ 2ºT), Nathaniel Brown (23′ 2ºT) e Deniz Undav (32′ 2ºT) pela Alemanha; Livano Comenencia (20′ 1ºT) por Curaçao.
- Árbitro: El Fariq Hamza (Marrocos)
- Local: NRG Stadium, em Houston (Estados Unidos)
- Público: 68.021 presentes
A História de Holanda x Japão
Se a primeira rodada da Copa do Mundo de 2026 precisava de um jogo para cravar o selo de “alto nível técnico”, Holanda e Japão deram conta do recado. Em uma partida movimentada e taticamente impecável no AT&T Stadium, em Arlington, as duas seleções mostraram por que são fortes candidatas a ir longe no Mundial e empataram em 2 a 2 pelo Grupo F.
O resultado premiou a conhecida insistência japonesa, que buscou a igualdade aos 43 minutos do segundo tempo após ficar duas vezes atrás no placar.

Primeiro tempo estratégico e segundo tempo elétrico
A etapa inicial foi um clássico duelo de xadrez. A Holanda, comandada por Ronald Koeman, tentava propor o jogo e teve boa chance com Malen logo de início, parando no goleiro Suzuki. Do outro lado, o Japão se defendia com uma linha compacta e assustava nas saídas rápidas. O zero não saiu do placar antes do intervalo, mas o melhor estava reservado para a volta dos vestiários.
Aos 5 minutos da etapa final, a rede finalmente balançou. O meio-campista Gravenberch (um dos melhores em campo) cruzou com precisão para o zagueirão Van Dijk subir sozinho e testar para o gol: 1 a 0 Holanda.
A resposta do Japão não demorou. Apenas seis minutos depois, Nakamura arriscou da entrada da área, a bola desviou na defesa holandesa e enganou o goleiro Verbruggen. Tudo igual.
Brilho de Summerville e o banho de água fria
A Holanda não sentiu o golpe e manteve a intensidade. Aos 16 minutos, novamente Gravenberch apareceu para ditar o ritmo e serviu Summerville. O atacante limpou a marcação e bateu com categoria, no cantinho, recolocando a Laranja na frente.
Com a vantagem, Koeman tentou fechar o time e colocou o atacante Memphis Depay (estrela do Corinthians) em campo para tentar segurar a bola na frente. Mas a estratégia de recuar chamou o Japão para o ataque. De tanto pressionar, a recompensa asiática veio aos 43 minutos: após cobrança de escanteio, Ogawa cabeceou e a bola desviou em Kamada antes de morrer no fundo da rede. Um 2 a 2 justo para quem não desistiu até o apito final.

De olho no futuro
Com o empate, as duas equipes somam o primeiro ponto no Grupo F e aguardam o fechamento da rodada entre Suécia e Tunísia. Vale lembrar que os classificados desta chave cruzam justamente com o grupo do Brasil na fase seguinte, o que liga o alerta para a Seleção Brasileira pelo futebol apresentado por ambos em Arlington.
Ficha Técnica: Holanda 2 x 2 Japão
- HOLANDA: Verbruggen; Dumfries, Van Hecke, Van Dijk e Micky Van de Ven; Frenkie de Jong, Reijnders (Timber) e Ryan Gravenberch (Aké); Summerville (Koopmeiners), Donyell Malen (Memphis Depay) e Cody Gakpo (Brobbey). Técnico: Ronald Koeman.
- JAPÃO: Suzuki; Watanabe (Tomiyasu), Taniguchi e Ito; Doan (Sugawara), Sano, Kamada e Nakamura; Kubo (Ogawa), Ueda (Shiogai) e Maeda (Junya Ito). Técnico: Hajime Moriyasu.
- GOLS: Van Dijk (5′ 2ºT) e Summerville (16′ 2ºT), pela Holanda; Nakamura (11′ 2ºT) e Kamada (43′ 2ºT) pelo Japão.
- Árbitro: Ismail Elfath (Estados Unidos)
- CARTÕES AMARELOS: Summerville (HOL) e Memphis Depay (HOL).
- Local: AT&T Stadium, em Arlington (Estados Unidos)
- Público: 69.285 presentes
A História de Costa do Marfim x Equador
Dizem que o futebol não é um esporte de justiça, mas sim de bola na rede. Se alguém precisava de uma prova disso, o confronto entre Costa do Marfim e Equador no Lincoln Financial Field, na Filadélfia, foi o exemplo perfeito. Em um jogo eletrizante pela abertura do Grupo E, a seleção equatoriana carimbou a trave três vezes, parou no goleiro marfinense e acabou castigada aos 44 minutos do segundo tempo.
Com o placar de 1 a 0, a Costa do Marfim não só garantiu três pontos cruciais, como também destruiu uma impressionante invencibilidade do Equador, que já durava 19 partidas (desde setembro de 2024).

Bombardeio equatoriano e o fantasma da trave
Com as arquibancadas tomadas por uma verdadeira invasão da torcida equatoriana na Filadélfia, o time sul-americano começou mandando no jogo. Logo cedo, o experiente Enner Valencia teve uma chance clara dentro da área, mas isolou.
O primeiro tempo virou um teste para o coração dos torcedores do Equador. Foram duas bolas no travessão em um intervalo de seis minutos: primeiro com Yeboah, em jogada individual, e depois com Minda, após bela infiltração na zaga africana.
No início da segunda etapa, veio a terceira bola na trave do Equador. Uma falta de pontaria que cobraria um preço altíssimo.
O dedo do treinador e a arrancada heróica
Aos poucos, a Costa do Marfim conseguiu equilibrar as ações — inclusive devolvendo o susto com uma cabeçada de Wahi no travessão. Mas a história do jogo começou a mudar aos 11 minutos, quando o técnico Emerse Faé colocou o atacante Amad Diallo (do Manchester United) em campo. A seleção marfinense ganhou fôlego e passou a dominar o meio-campo.
Quando o ritmo da partida caía e o empate parecia inevitável, veio o lance do jogo. Aos 44 minutos, o lateral Singo limpou a marcação ainda no campo de defesa e partiu em uma arrancada espetacular em velocidade. Ele atravessou o gramado e rolou com açúcar para a entrada da área. Diallo, de primeira, bateu rasteiro no canto direito do goleiro Galíndez. Gol da vitória e balde de água fria na torcida sul-americana.

Como fica o grupo?
Com a vitória magra, mas gigantesca, a Costa do Marfim assume a vice-liderança do Grupo E com 3 pontos, ficando atrás apenas da Alemanha (que lidera pelo saldo de gols após o massacre por 7 a 1 sobre Curaçao). Equador e Curaçao ficam zerados.
O bicho vai pegar na próxima rodada: no sábado, alemães e marfinenses se enfrentam valendo a liderança da chave, enquanto Equador busca a reabilitação contra Curaçao.
Ficha Técnica: Costa do Marfim 1 x 0 Equador
- COSTA DO MARFIM: Y. Fofana; Doué (Kossounou), Singo, Agbadou e Konan; Kessié, Seko Fofana (Sangaré), Touré (Diallo) e Pepé (Oulai); Wahi (Bonny) e Diomande. Técnico: Emerse Faé.
- EQUADOR: Galíndez; Alan Franco (Preciado), Ordoñez, Pacho e Hincapié; Caicedo, Minda (Angulo) e Vite; Plata, Enner Valencia (Kevin Rodríguez) e Yeboah (Porozo). Técnico: Sebastián Beccacece.
- GOL: Amad Diallo (44′ 2ºT).
- Árbitro: François Letexier (França)
- CARTÕES AMARELOS: Seko Fofana (CIV), Doué (CIV), Kessié (CIV), Porozo (EQU).
- Local: Lincoln Financial Field, na Filadélfia (Estados Unidos)
- Público: 68.274 presentes
A História de Suécia x Tunísia
Se Holanda e Japão fizeram um confronto equilibrado e tenso no início do Grupo F, a Suécia resolveu mandar um recado bem direto para os seus concorrentes. Em uma exibição de gala no Estádio BBVA, em Monterrey, a seleção nórdica atropelou a Tunísia por 5 a 1, assumindo o topo da tabela e provando que seu setor ofensivo tem potencial para incomodar qualquer gigante neste Mundial.
O grande destaque ficou por conta do entrosamento perfeito de sua dupla de ataque, formada por rivais do futebol inglês, e por uma bela história de respeito às raízes.

Respeito de um lado, oportunismo do outro
O placar começou a se movimentar cedo. Logo aos 7 minutos, o jovem volante Ayari pegou uma sobra e acertou um belo chute de fora da área para abrir a contagem para os suecos. Na comemoração, um momento marcante: o jogador permaneceu em silêncio e não festejou, em sinal de profundo respeito ao seu pai, que é tunisiano.
A Tunísia tentava responder levantando bolas na área, mas acabou castigada no contra-ataque. Aos 30 minutos, Gyökeres arrancou e serviu Alexander Isak, que bateu cruzado, contando com uma falha do goleiro Chamakh para fazer 2 a 0. Os tunisianos ainda ganharam uma sobrevida antes do intervalo, quando o zagueiro Rekik testou firme para as redes após cruzamento preciso de Mejbri.
O show do segundo tempo e a tecnologia em campo
Na etapa final, a esperada reação tunisiana esbarrou na pura eficiência da dupla sueca. Aos 14 minutos, Isak pressionou a saída de bola adversária, roubou a carteira do defensor e rolou com açúcar para Viktor Gyökeres estufar a rede.
Na reta final do jogo, o banco de reservas sueco mostrou serviço. O meia Svanberg entrou em campo e, em seu primeiríssimo toque na bola, balançou as redes. O lance chegou a ser anulado pelo bandeirinha, mas o VAR entrou em ação de forma cirúrgica: graças ao chip implantado dentro da bola, a tecnologia detectou um desvio milimétrico que confirmou a posição legal do atleta.
Ainda deu tempo para Ayari, o herói da noite, fechar o caixão nos acréscimos com mais um chutaço de fora da área. Dessa vez, com a vitória garantida, ele se permitiu comemorar um pouquinho com os companheiros.

De olho no cruzamento
Com os 5 a 1, a Suécia lidera a chave com 3 pontos e excelente saldo de gols, seguida por Holanda e Japão (1 ponto cada). A Tunísia amarga a lanterna. Vale lembrar que a Seleção Brasileira acompanha de perto esse grupo, já que os classificados daqui cruzam com a chave do Brasil na fase seguinte. No próximo sábado, teremos o grande clássico europeu da rodada entre Suécia e Holanda.
Ficha Técnica: Suécia 5 x 1 Tunísia
- SUÉCIA: Nordfeldt; Lagerbielke, Lindelöf, Hien, Gudmundsson (Stroud) e Bernhardsson (Svensson); Nygren (Bergvall), Karlström (Svanberg) e Ayari; Isak (Elanga) e Gyökeres. Técnico: Graham Potter.
- TUNÍSIA: Chamakh; Abdi, Talbi, Rekik, Valery (Hadj Mahmoud) e Ben Hamida; Mejbri, Khedira (Gharbi), Skhiri (Achouri) e Slimane (Chaouat); Saad (Tounekt). Técnico: Sabri Lamouchi.
- GOLS: Ayari (7′ 1ºT e 51′ 2ºT), Isak (30′ 1ºT), Gyökeres (14′ 2ºT) e Svanberg (41′ 2ºT) pela Suécia; Rekik (43′ 1ºT) pela Tunísia.
- Árbitro: Yael Falcón Pérez (Argentina)
- CARTÕES AMARELOS: Khedira (TUN).
- Local: Estádio BBVA, em Guadalupe, Monterrey (México)
- Público: 50.987 torcedores