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Uma Copa Qualquer: Rodada de 15/06

Mais um dia de jogos em Uma Copa Qualquer, com a rodada de 15/06. E parece que os estreantes vieram para causar uma ótima impresão. E hoje ninguém venceu… quatro jogos e quatro empates. Mas empatar não significa de forma alguma falta de emoção. No primeiro jogo do dia, com uma atuação brilhante do goleiro Vozinha, Cabo Verde segurou o empate sem gols contra a Espanha. Na sequência, a Bélgica decepcionou na sua estreia e foi parada pelo Egito num empate em 1 a 1. O mesmo placar aconteceu no jogo entre Arábia Saudita e Uruguai, que mostrou um futebol bem abaixo do esperado. E no final do dia foi a vez do Irã empatar em 2 a 2 com a Nova Zelândia.

A gente vai contar todas estas histórias pra você…

A História de Espanha x Cabo Verde

Se você tentasse desenhar o cenário para a estreia do Grupo H da Copa do Mundo de 2026, dificilmente chegaria perto do que aconteceu no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. De um lado, a badalada Espanha, atual campeã europeia e candidata ao título. Do outro, a modesta seleção de Cabo Verde, um arquipélago africano de 560 mil habitantes, fazendo o primeiro jogo de sua história no torneio. O resultado? Um 0 a 0 histórico, heroico e com nome próprio: Vozinha.

O goleiro de 40 anos — cujo nome de batismo, Josimar, é uma homenagem ao lateral brasileiro da Copa de 1986 — foi o grande personagem do dia. Ele operou nada menos que osito defesas ao longo da partida, parando um verdadeiro bombardeio espanhol e saindo de campo eleito pela Fifa como o melhor do jogo.

O tamanho do “amasso” espanhol

Para entender o tamanho da façanha de Cabo Verde, basta olhar para o desenho tático do jogo. A Espanha fez o que sabe de melhor: controlou a posse de bola (uma “goleada” de 75% contra 25%) e trocou mais de 800 passes. O mapa de calor parecia um monólogo, com os europeus instalados quase o tempo todo no campo de ataque.

Ao todo, foram mais de 20 finalizações da Roja. Ferran Torres carimbou o travessão, Laporte e Oyarzabal pararam nas mãos de Vozinha, e a zaga cabo-verdiana se atirou na bola como se cada lance fosse o último da vida. E o mais impressionante: a defesa de Cabo Verde foi tão limpa e disciplinada que o time cometeu apenas uma falta durante os 90 minutos inteiros.

O “efeito” Lamine Yamal e o fantasma das estreias

Sem Nico Williams e Lamine Yamal desde o início — ambos voltando de lesão —, a Espanha pecou pela lentidão no primeiro tempo. Na reta final, o técnico Luis de la Fuente acionou o “protocolo Yamal”. O prodígio de 18 anos entrou em campo, incitando a torcida e concentrando o jogo pelo lado direito com suas jogadas individuais. Mas a parede azul de Cabo Verde não rachou. Nos acréscimos, os africanos ainda assustaram em uma cabeçada de Diney Borges que obrigou Unai Simón a trabalhar.

Com o empate, a Espanha revive um velho fantasma: o time histórico por sua tradição tem um aproveitamento de apenas 39% em estreias de Copa do Mundo. O consolo para os espanhóis é que em 2010, ano do único título mundial, eles começaram perdendo para a Suíça.

Vozinha foi um gigante e fechou o gol – Foto: Justin Setterfield / Getty Images via AFP

Como fica o grupo?

Espanha e Cabo Verde somam seu primeiro ponto no Grupo H. Na próxima rodada, no dia 21 de junho, os espanhóis tentam a recuperação contra a Arábia Saudita, enquanto os heróis de Cabo Verde enfrentam o Uruguai, agora com o sonho legítimo de buscar uma vaga na próxima fase.

Ficha Técnica: Espanha 0 x 0 Cabo Verde

  • ESPANHA: Unai Simón; Marcos Llorente, Cubarsí, Laporte e Cucurella; Rodri (Nico Williams), Pedri, Fabián Ruiz (Mikel Merino); Ferran Torres (Dani Olmo), Gavi (Lamine Yamal) e Oyarzabal. Técnico: Luis de la Fuente.
  • CABO VERDE: Vozinha; Steve Moreira, Diney Borges, Pico Lopes e Sidny Cabral (João Paulo); Kevin Pina, Laros Duarte (Deroy Duarte), Jovane Cabral (Willy Semedo) e Jamiro Monteiro (Telmo Arcanjo); Ryan Mendes e Dailon Livramento (Nuno da Costa). Técnico: Pedro “Bubista” Leitão.
  • Árbitro: Adham Makhadmeh (Fifa/Jordânia)
  • Cartões Amarelos: Pedri (Espanha); Sidny Cabral (Cabo Verde)
  • Local: Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta (Estados Unidos)
  • Público: 67.640 espectadores

A História de Bélgica x Egito

A estreia do Grupo G da Copa do Mundo de 2026, no Lumen Field, em Seattle, entregou aquele roteiro que o fã de futebol adora: histórias curiosas, craques celebrando aniversário e uma substituição que mudou o destino do jogo em menos de trinta segundos. Bélgica e Egito mediram forças e terminaram em um equilibrado 1 a 1, deixando tudo igual na chave.

Aniversário com assistência e um herói improvável

O grande nome do Egito, Mohamed Salah, entrou em campo celebrando o seu aniversário. E o presente para a torcida veio aos 19 minutos do primeiro tempo. O camisa 10 iniciou a jogada invertendo a bola para Emam Ashour na entrada da área. O meia dominou e acertou um belo chute no canto de Courtois para abrir o placar. Foi o primeiro gol de Ashour com a camisa da seleção — e logo em uma Copa do Mundo.

Curiosamente, o autor do gol egípcio carrega uma história pesada fora das quatro linhas: há dois anos, ele chegou a ser condenado a seis meses de prisão no Egito por agredir o chefe de segurança de um shopping próximo ao Cairo, conseguindo um acordo com a vítima posteriormente para evitar a pena.

Com a bola rolando, o Egito se impôs no contra-ataque. Um atacante conhecido pelo apelido de “Zico” quase ampliou, obrigando Courtois a fazer uma grande defesa. Marmoush e o próprio Ashour também desperdiçaram chances claras de matar o confronto.

O fator Lukaku: 22 segundos para mudar o jogo

A Bélgica, comandada por Kevin De Bruyne, tentava furar o bloqueio africano, mas esbarrava na falta de pontaria e na trave — onde o próprio De Bruyne carimbou uma cobrança de falta. O cenário só mudou quando o técnico Rudi Garcia resolveu acionar a experiência no segundo tempo.

Aos 20 minutos da etapa final, Romelu Lukaku, de 33 anos, saiu do banco de reservas. Ele precisou de impressionantes 22 segundos em campo para mudar a história da partida. No seu primeiro lance, após cruzamento de Meunier pela direita, o centroavante usou seu vigor físico para brigar com os defensores na pequena área. Na insistência, o zagueiro egípcio Hany acabou desviando contra as próprias redes, selando o empate belga.

Lukaku ainda teve a chance da virada nos minutos finais, cabeceando por cima do travessão. O empate manteve a impressionante invencibilidade da Bélgica, que agora soma 18 partidas sem derrotas, e adiou o sonho do Egito de conquistar sua primeira vitória na história das Copas.

A Bélgica parou no paredão Egipcío – Foto: Lindsey Wasson/AP Photo

Como fica o grupo?

Com um ponto para cada lado, belgas e egípcios aguardam o fechamento da rodada entre Irã e Nova Zelândia. No próximo domingo, a Bélgica encara o Irã em Los Angeles, enquanto o Egito viaja até Vancouver para enfrentar a Nova Zelândia.

Ficha Técnica: Bélgica 1 x 1 Egito

  • BÉLGICA: Courtois; Meunier, Ngoy, Mechele e Castagne (De Cuyper); Onana (Raskin), Tielemans e De Bruyne (Vanaken); Trossard, Doku (Fernández-Pardo) e De Ketelaere (Lukaku). Técnico: Rudi Garcia.
  • EGITO: Shoubir; Hany, Ibrahim e Fatouh; Lashin, Attia, Zico (Zizo), Fathy (Hafez) (Adel) e Ashour (Rabia); Salah (Abdelkarim) e Marmoush. Técnico: Hossam Hassan.
  • Gols: Ashour, aos 19 minutos do 1º tempo (Egito); Hany (contra), aos 20 minutos do 2º tempo (Bélgica).
  • Árbitro: Ramon Abatti Abel (Brasil)
  • Cartões Amarelos: Castagne e De Cuyper (Bélgica); Attia e Fatouh (Egito).
  • Local: Lumen Field, em Seattle (Estados Unidos)
  • Público: 66.775

A História de Arábia Saudita x Uruguai

Se o Grupo H da Copa do Mundo de 2026 começou com um surpreendente zero a zero entre Espanha e Cabo Verde, o fechamento da primeira rodada manteve o tom de equilíbrio e emoção. No Hard Rock Stadium, em Miami Gardens, o Uruguai de Marcelo Bielsa bombardeou a Arábia Saudita com mais de 20 finalizações, mas esbarrou em uma atuação de gala do goleiro Al-Owais e teve que se contentar com o empate por 1 a 1.

Recorde com sabor agridoce para Muslera

A noite era histórica para Fernando Muslera. Prestes a completar 40 anos, o arqueiro tornou-se o jogador mais velho a defender a Celeste em um Mundial, além de igualar Edinson Cavani com 17 partidas na competição. No entanto, o aniversário quase foi estragado aos 41 minutos do primeiro tempo. Após uma cabeçada forte de Kanno, Muslera deu rebote e o zagueiro saudita Al-Amri aproveitou a sobra na pequena área para abrir o placar.

A Arábia Saudita, que já havia chocado o mundo ao vencer a Argentina na estreia de 2022, ameaçava repetir a dose com uma defesa extremamente sólida e saídas rápidas organizadas pelo talentoso Al-Dawsari.

A “blitz” de Bielsa e o herói Al-Owais

Insatisfeito, Marcelo Bielsa mexeu no time no intervalo, promovendo as entradas de Sanabria e Canobbio (sacando inclusive o astro Darwin Núñez). O Uruguai mudou de postura, adiantou as linhas e promoveu um verdadeiro massacre ofensivo na etapa final.

A trave salvou os sauditas em um chutaço de Ugarte, e o goleiro Al-Owais fechou o gol operando milagres em tentativas de Federico Viñas e Valverde. A muralha asiática só caiu aos 35 minutos do segundo tempo: após mais uma cabeçada de Viñas defendida parcialmente pelo goleiro, Maxi Araújo apareceu como um raio no rebote para empurrar para as redes e aliviar a torcida uruguaia.

O Uruguai insistiu até o último segundo em busca da virada, mas esbarrou no desespero e nos erros de passe, deixando evidente que a equipe sente muita falta da criatividade de Arrascaeta, que se recupera de lesão.

Muita movimentação, mas Arábia x Uruguai terminou em empate – Foto: Rebecca Blackwell/AP

Grupo H em marcha lenta (mas com líderes!)

O empate manteve o tabu uruguaio: a Celeste venceu apenas uma de suas últimas nove estreias em Copas do Mundo. Por outro lado, reforça o bom momento dos asiáticos no torneio, que seguem sem perder.

Com o resultado, todas as quatro seleções do Grupo H somam exatamente um ponto. Uruguai e Arábia Saudita assumem provisoriamente as duas primeiras posições por terem balançado as redes. No próximo domingo (21 de junho), a Arábia Saudita desafia a Espanha em Atlanta, enquanto o Uruguai enfrenta Cabo Verde em Miami.

Ficha Técnica: Arábia Saudita 1 x 1 Uruguai

  • ARÁBIA SAUDITA: Al-Owais; Al-Amri, Abdulhamid (Lajami), Al-Tambakti, Al-Harbi (Alhamddan) e Abu Alshamat (Bu Washl); Kanno, Al-Juwayr (Aldawsari) e Al-Khaibari; Albrikan (Alhajji) e Salem Al-Dawsari. Técnico: Georgios Donis.
  • URUGUAI: Muslera; Varela, Cáceres, Olivera e Viña (Sanabria); Valverde, Ugarte (De La Cruz), Bentancur e Araujo (Brian Rodriguez); Darwin Núñez (Canobbio) e Viñas (Aguirre). Técnico: Marcelo Bielsa.
  • Gols: Al-Amri, aos 41 minutos do 1º tempo (Arábia Saudita); Maxi Araújo, aos 35 minutos do 2º tempo (Uruguai).
  • Árbitro: Maurizio Mariani (Itália)
  • Cartões Amarelos: Al-Amri (Arábia Saudita).
  • Local: Hard Rock Stadium, em Miami Gardens (Estados Unidos)
  • Público: 62.764 torcedores

A História de Irã x Nova Zelândia

Se o futebol é o reflexo da história, o confronto entre Irã e Nova Zelândia pelo Grupo G da Copa do Mundo de 2026 levou isso ao pé da letra. No SoFi Stadium, em Los Angeles – cidade que abriga a maior comunidade iraniana fora do próprio país – o clima de tensão logística e política deu lugar a um dos jogos mais movimentados do torneio até aqui. O placar de 2 a 2 premiou o futebol ofensivo e deixou a chave completamente embolada.

O peso de estar em campo

A jornada do Irã para estrear nesta Copa foi uma verdadeira odisseia. Com vistos negados para 15 membros da delegação devido ao recente contexto de conflito, a seleção precisou fazer sua base em Tijuana, no México, e só pisou em solo americano na véspera da partida. Coincidentemente, o duelo ocorreu no mesmo dia em que um tratado de paz histórico começou a desenhar o fim das hostilidades no Oriente Médio.

Nas arquibancadas, o clima era de caldeirão doméstico, mas também de manifesto. Torcedores iranianos driblaram a segurança da Fifa e exibiram a antiga bandeira do leão e do sol – símbolo anterior à revolução islâmica de 1979 e banida pela entidade – protestando contra o atual regime político de Teerã.

O show de Elijah Just contra o “Caldeirão Persa”

Esperava-se que a Nova Zelândia, dona do pior ranqueamento da Fifa entre os participantes da Copa, jogasse trancada na defesa. Mas os “All Whites” surpreenderam. Logo aos seis minutos de jogo, Elijah Just tabelou com o experiente Chris Wood e abriu o placar, calando momentaneamente os mais de 70 mil torcedores.

O Irã reagiu após o susto e sua principal estrela, Mehdi Taremi, carimbou a trave. A pressão funcionou aos 31 minutos, quando o lateral Ramin Rezaeian surgiu no ataque para encobrir o goleiro com estilo e empatar.

O segundo tempo conseguiu ser ainda mais frenético. Logo aos nove minutos, a dupla neozelandesa funcionou de novo: assistência de Wood e mais um gol de Elijah Just. Com o双te, o jovem jogador do Motherwell, da Escócia, fez história ao se tornar o maior artilheiro da Nova Zelândia em Copas do Mundo.

Novamente atrás do placar, o Irã usou a força das arquibancadas para buscar a igualdade definitiva. Aos 21 minutos, Mohammad Mohebi aproveitou um cruzamento milimétrico e subiu mais alto que a zaga neozelandesa para testar firme: 2 a 2. Os minutos finais foram de pura pressão persa, mas a valente defesa da Oceania garantiu o resultado.

O Irã foi gigante contra a Nova Zelândia – Foto: Jae C. Hong / AP Photo

Grupo G totalmente embolado

Assim como no Grupo H, a primeira rodada do Grupo G termina sem que ninguém consiga desgarrar na tabela. Com os empates de Bélgica e Egito (1 a 1) e Irã e Nova Zelândia (2 a 2), todos somam um ponto. Pelos critérios de gols marcados, iranianos e neozelandeses ocupam o topo da chave.

No próximo domingo, o Irã joga novamente no SoFi Stadium contra a Bélgica, enquanto a Nova Zelândia viaja para Vancouver, no Canadá, onde enfrenta a seleção do Egito.

Ficha Técnica: Irã 2 x 2 Nova Zelândia

  • IRÃ: Beiranvand; Ramin Rezaeian, Khalilzadeh, Al Nemati e Milad Mohammadi; M. Mohebi, Saman Ghoddos (Hajsafi), Eztolahi e Yousefi (Ghayedi); Shahriyar Moghanlou (Alipour) e Taremi (Hosseinzadeh). Técnico: Amir Ghalenoei.
  • NOVA ZELÂNDIA: Max Crocombe; Tim Payne (Elliot), Surman, Boxxall e Cacace (Ben Old); Bell, Stamenic (Bindon), Just, Singh e McCowatt (Ryan Thomas); Chris Wood. Técnico: Darren Bazeley.
  • Gols: Just, aos 6, e Rezaeian, aos 31 minutos do 1º tempo; Just, aos 9, e Mohebi, aos 21 minutos do 2º tempo.
  • Árbitro: Cesar Arturo Ramos Palazuelos (México)
  • Cartões Amarelos: Hajsafi (Irã).
  • Local: SoFi Stadium, em Los Angeles (Estados Unidos)
  • Público: 70.108 torcedores

Publicado em:Entretenimento,Uma Copa Qualquer

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