Chegamos à segunda rodada da fase de grupos de Uma Copa Qualquer! Uma rodada com surpresas no placar. República Tcheca e África do Sul fizeram um jogo morno que terminou em empate em 1 a 1. A Suíça de forma previsível venceu a Bósnia e Herzegovina de uma forma não previsível, goleando os bósnios por 4 a 1. Depois, o jogo do Canadá que atropelou o Qatar por 6 a 0 e que infelizmente teve uma jogada onde um dos seus jogadores fraturou a perna. Por fim, o México ganhou da Coréia do Sul por um magro 1 a 0 numa falha incrível do goleiro coreano.
A gente conta todas estas histórias pra você.
A História de República Tcheca x África do Sul
Se o torcedor piscou nos primeiros minutos de República Tcheca e África do Sul nesta quinta-feira, perdeu o início de um roteiro eletrizante. O empate por 1 a 1 no Mercedes-Benz Stadium acabou sendo o resultado mais justo para um confronto onde uma seleção dominou o primeiro tempo, a outra buscou o prejuízo no segundo, e ambas saíram de campo com a corda no pescoço no Grupo A.

Com uma derrota por 2 a 0 contra o México na primeira rodada, um bom resultado seria fundamental para a equipe sul-africana. O mesmo se aplicava para a República Tcheca, após derrota para a Coreia do Sul por 2 a 1. Seria o jogo dos desesperados?
O início perfeito e o recuo fatal
Confirmando o favoritismo inicial, a República Tcheca precisou de apenas cinco minutos para abrir o placar. Após uma belíssima trama coletiva pelo lado direito, Sadílek recebeu um passe limpo dentro da área e estufou a rede. Era o cenário dos sonhos para os europeus, que vinham de derrota na estreia.
O problema foi o que veio depois. Com a vantagem no bolso, os tchecos decidiram abrir mão do jogo. À exceção do centroavante Patrik Schick, que ficou isolado na frente, o time inteiro recuou e montou uma parede humana. A República Tcheca resolveu administrar o relógio cedo demais, e no futebol esse tipo de aposta costuma custar caro. No início da etapa final, Darida e Schick ainda pararam em grandes defesas do goleiro Williams, mas a pressão mudou de lado.
O fator Maseko e o choro no hino
A África do Sul sentiu o golpe do gol precoce, mas se faltava espaço na tática, sobrou entrega. O prêmio veio aos 37 minutos da etapa final. O jovem ponta Maseko infernizou a defesa adversária pelo lado direito e arriscou o chute; a bola explodiu no braço de Sulc dentro da área.
O pênalti foi anotado, e a responsabilidade caiu nos pés de Mokoena — o mesmo que tinha chorado copiosamente de emoção ao cantar o hino nacional. Com uma frieza impressionante, ele deslocou o goleiro Kovár e garantiu a igualdade. O desespero tomou conta dos minutos finais, com as duas equipes se lançando ao ataque, mas o placar não se moveu mais.

Um marco para a história das Copas
Para além do drama dos pontos, quem acompanhou a partida testemunhou um recorde histórico. Pela primeira vez na história dos Mundiais masculinos, uma partida foi comandada por uma equipe de arbitragem 100% feminina. A americana Tori Penso apitou o duelo, auxiliada pelas compatriotas Brooke Mayo e Kathryn Nesbit, conduzindo o jogo tenso com absoluta segurança.
Com o resultado, a situação do Grupo A fica dramática: a República Tcheca vai encarar o México no místico Estádio Azteca, enquanto a África do Sul joga sua vida contra a Coreia do Sul no El Gigante de Acero. Ambos somam apenas um ponto e só a vitória interessa.
Ficha Técnica: República Tcheca 1 x 1 África do Sul
- Escalação República Tcheca: Kovar; Coufal, Hranác, Krejcí e Holes; Cerv (Zima), Sadílek (Soucek), Sojka (Sulc) e Darida (Zeleny); Schick e Hlozek (Provod). Técnico: Miroslav Koubek.
- Escalação África do Sul: Williams; Mudau, Okon, Mbokazi e Modiba; Mbatha, Mokoena, Adams (Mofokeng); Appolis, Rayners (Makgopa) e Maseko (Sebelebe). Técnico: Hugo Broos.
- Gols:
- República Tcheca: Sadílek aos 5′ do 1º tempo.
- África do Sul: Mokoena aos 37′ do 2º tempo (pênalti).
- Árbitro: Tori Penso (Estados Unidos).
- Cartões: Krejcí (República Tcheca); Mokoena e Mbatha (África do Sul).
- Decisões críticas do VAR: O árbitro de vídeo confirmou a penalidade máxima assinalada em campo pela árbitra Tori Penso aos 37′ do 2º tempo, após o chute de Maseko bater no braço aberto do defensor tcheco Sulc.
- Local: Mercedes-Benz Stadium, Atlanta, Estados Unidos.
- Público: 67.442 presentes.
A História de Suíça x Bósnia e Herzegovina
Quem acompanhou os primeiros 70 minutos de Suíça e Bósnia nesta quinta-feira no espetacular SoFi Stadium, em Los Angeles, dificilmente imaginaria o desfecho da partida. Após um primeiro tempo arrastado e com pouquíssima inspiração, o técnico suíço Murat Yakin transformou o jogo com substituições cirúrgicas, promovendo uma verdadeira chuva de gols no final para carimbar a vitória por 4 a 1 e incendiar o Grupo B.

Tanto Suíça como Bõsnia estrearam na copa apenas com um empate. A Suíça empatou com o Catar, enquanto que a Bósnia segurou o empate contra a anfitriã Canadá.
Monotonia inicial e o adeus de uma lenda
A primeira etapa teve um roteiro de ataque contra defesa. A Suíça controlou o ritmo do jogo, chegando a registrar massivos 75% de posse de bola. No entanto, a equipe esbarrava na forte compactação bósnia. A melhor chance veio logo no início, quando Ndoye recebeu passe do capitão Xhaka e bateu pelo lado de fora da rede. Do lado da Bósnia, a grande novidade foi a escalação do veterano Edin Dzeko, recuperado e jogando com uma proteção no braço. O craque brigou muito, mas acabou substituído sob aplausos na metade do segundo tempo.
As alterações que mudaram a história
O jogo parecia caminhar para um tedioso empate sem gols até que, aos 26 minutos da etapa final, Murat Yakin colocou em campo Johan Manzambi e Ruben Vargas. A resposta foi imediata. Apenas dois minutos depois, Vargas insistiu pelo lado esquerdo e cruzou; a zaga rebateu mal e o jovem Manzambi aproveitou a sobra para abrir o placar.
A situação da Bósnia desandou completamente aos 34 minutos, quando o defensor Muharemovic recebeu o cartão vermelho direto após cometer falta dura em Embolo, que arrancava livre. Com um homem a mais, os suíços transformaram a partida em passeio. Embolo serviu Vargas, que bateu rasteiro para ampliar. Aos 44, o próprio Vargas fez grande jogada e cruzou na medida para Manzambi anotar o seu segundo gol na partida e sacramentar o seu posto de craque do jogo.
Final elétrico e a marca do capitão
Mesmo batida, a Bósnia encontrou forças para descontar aos 48 minutos com um verdadeiro golaço de primeira de Mahmic. Mas ainda dava tempo para mais. No último lance do confronto, Memic derrubou Sow dentro da área. O experiente Granit Xhaka assumiu a responsabilidade na cobrança do pênalti, bateu com categoria e fechou a goleada em 4 a 1.

Com o resultado, a Suíça dá um passo gigantesco rumo à classificação no Grupo B e agora se prepara para um duelo direto de gigantes contra o Canadá no Vancouver Place.
Ficha Técnica: Suíça 4 x 1 Bósnia e Herzegovina
- Escalação Suíça: Kobel; Widmer (Jaquez), Elvedi, Akanji e Ricardo Rodríguez; Aebischer (Sow), Freuler e Xhaka; Rieder (Vargas), Embolo (Itten) e Ndoye (Manzambi). Técnico: Murat Yakin.
- Escalação Bósnia: Vasilj; Dedic, Muharemovic, Katic e Kolasinac; Tahirovic (Basic), Sunjic (Hadziahmetovic), Memic e Alajbegovic (Mahmic); Demirovic (Lukic) e Dzeko (Bajraktarevic). Técnico: Sergej Barbarez.
- Gols:
- Suíça: Manzambi aos 28′ do 2ºT, Vargas aos 38′ do 2ºT, Manzambi aos 44′ do 2ºT e Xhaka aos 51′ do 2ºT (pênalti).
- Bósnia: Mahmic aos 47′ do 2ºT.
- Árbitro: João Pinheiro (Portugal).
- Cartões: Elvedi (Suíça); Dedic e Dzeko (Bósnia).
- Cartão Vermelho: Muharemovic (Bósnia).
- Decisões críticas do VAR: O VAR revisou e confirmou a expulsão direta de Muharemovic aos 34′ do 2º tempo por interromper oportunidade clara de gol de Embolo, além de validar a penalidade máxima em Sow convertida por Xhaka nos acréscimos.
- Local: SoFi Stadium, Los Angeles, Estados Unidos.
- Público: 70.026 torcedores.
A História de Canadá x Catar
A torcida que lotou o BC Place Stadium testemunhou uma noite de fortes emoções e recordes históricos. Com uma atuação avassaladora, o Canadá atropelou o Catar por 6 a 0, carimbou a primeira vitória de sua história em Copas do Mundo e assumiu a liderança do Grupo B. No entanto, a festa dos anfitriões acabou dividindo espaço com o drama e a comoção geral nas arquibancadas após uma lesão gravíssima que tirou um dos destaques do time do Mundial.

O Canadá estreou com um empate por 1 a 1 contra a Bósnia e Herzegovina. Mesmo placar entre Catar e Suíça. Jogos mornos que não mostraram um franco favorito.
Atropelo histórico e hat-trick do artilheiro
Mesmo sem o capitão Alphonso Davies (poupado por problemas musculares), o Canadá sufocou o rival desde o apito inicial sob os olhares atentos do primeiro-ministro Justin Trudeau. Aos 16 minutos, Cyle Larin aproveitou o rebote do goleiro para abrir o placar. Pouco depois, o camisa 10 Jonathan David ampliou com um lindo voleio.
A situação dos cataris virou um pesadelo aos 30 minutos: Homam Ahmed foi expulso após derrubar Buchanan na cara do gol. Com um a mais, os donos da casa fecharam o primeiro tempo em 3 a 0 com mais um gol de Jonathan David, novamente de rebote.
O drama de Koné e o Catar com dois a menos
O segundo tempo corria em ritmo de festa até que, aos cinco minutos, o mundo desabou em Vancouver. O volante canadense Ismaël Koné sofreu uma fratura na perna esquerda após uma forte dividida. A imagem chocante deixou os atletas das duas seleções em desespero e levou Jonathan David às lágrimas. Após recomendação do VAR, o autor da falta, Madibo, recebeu o cartão vermelho direto, deixando o Catar com apenas nove jogadores em campo.
Na retomada do jogo, a goleada virou um massacre histórico. O substituto Saliba marcou o quarto gol em uma bela cobrança de falta baixa e comemorou exibindo a camisa 8 do companheiro lesionado. O quinto veio em um gol contra do zagueiro Manai, após cruzamento de Shaffelburg. Para fechar a conta, Jonathan David anotou o seu terceiro na partida (o chamado hat-trick), igualando-se a Lionel Messi na artilharia do torneio e decretando a maior goleada de uma seleção da Concacaf na história das Copas.

Como fica o grupo
Com o massacre, o Canadá dorme na liderança isolada do Grupo B pelo saldo de gols (+6 contra +4 da Suíça). Na rodada decisiva, os canadenses enfrentam justamente a Suíça no BC Place Stadium precisando de apenas um empate para avançar em primeiro. Já o Catar encara a Bósnia em Seattle buscando um milagre para tentar a classificação como um dos melhores terceiros colocados.
Ficha Técnica: Canadá 6 x 0 Catar
- Escalação Canadá: Crepeau; Johnston, De Fougerolles (Shaffelburg), Cornelius (Bombito) e Laryea; Koné (Saliba), Eustáquio e Buchanan; Ali Ahmed (Oluwaseyi), Jonathan David e Cyle Larin. Técnico: Jesse Marsch.
- Escalação Catar: Abunada; Al-Oui, Pedro Miguel, Khoukhi e Homam Ahmed; Madibo, Laye e Gaber (Manai); Afif (Al-Hussain), Edmilson Junior (Fathy, depois Lucas Mendes) e Abdurisag (Sultan Al-Brake). Técnico: Julen Lopetegui.
- Gols:
- Canadá: Cyle Larin aos 16′ do 1ºT, Jonathan David aos 28′ e 47′ do 1ºT; Saliba aos 18′ do 2ºT, Manai (contra) aos 30′ do 2ºT e Jonathan David aos 46′ do 2ºT.
- Árbitro: Cristian Garay (Chile).
- Cartões Amarelos: Cornelius (Canadá) e Fathy (Catar).
- Cartões Vermelhos: Homam Ahmed aos 30′ do 1ºT e Madibo aos 6′ do 2ºT (Catar).
- Decisões críticas do VAR: No primeiro tempo, o VAR corrigiu a marcação de um pênalti a favor do Canadá, mostrando que a falta em Buchanan ocorreu fora da área, o que resultou na expulsão direta de Homam Ahmed por interromper chance clara de gol. No segundo tempo, o árbitro de vídeo recomendou a expulsão direta de Madibo pela entrada violenta que fraturou a perna de Koné.
- Local: BC Place Stadium, Vancouver, Canadá.
- Público: 52.497 presentes.
A História de México x Coréia do Sul
O torcedor que lotou o Estádio Akron (também chamado de Estádio de Guadalajara) precisou exercitar a paciência nesta quinta-feira, mas saiu celebrando o resultado perfeito. Em uma partida fraca tecnicamente e que chegou a arrancar fortes vaias do público no primeiro tempo, o México derrotou a Coreia do Sul por 1 a 0 e se tornou a primeira seleção matematicamente classificada para as oitavas de final da Copa do Mundo, assegurando também o topo do Grupo A com uma rodada de antecedência.

O México veio de uma boa estreia, quando bateram a equipe da África do Sul pelo placar de 2 a 0. Os sul coreanos chegam ao segundo jogo da fase de grupos credenciados por uma vitória contra a República Tcheca por 2 a 1.
Tédio total, impedimentos e vaias
O primeiro tempo foi um verdadeiro teste para os nervos da torcida local. A Coreia do Sul controlou o ritmo ditando as ações com 52% de posse de bola, mas abusou de uma estratégia estéril: uma troca de passes interminável na defesa que sempre culminava em lançamentos longos e diretos. O resultado foi um festival de impedimentos da equipe asiática.
Em uma das poucas escapadas, Son Heung-Min chegou a tocar por cobertura na saída do goleiro, e Álvarez salvou em cima da linha com uma espécie de bicicleta — mas o lance já estava parado por posição irregular. Com apenas cinco finalizações somadas no total, o apito para o intervalo foi abafado por fortes vaias das arquibancadas diante do futebol improdutivo de ambos os lados.
A trapalhada decisiva e a muralha Rangel
A história do jogo mudou logo aos 4 minutos da etapa final graças a um lance bizarro. Em um cruzamento despretensioso para a área, o goleiro sul-coreano Kim Seung-Gyu subiu sozinho, bateu roupa e, na queda, se enroscou feio com o próprio zagueiro Lee Gi-Hyuk. A bola sobrou limpa para o meio-campista Romo, que de pé direito só teve o trabalho de empurrar para as redes, anotando o gol da vitória.
Atrás no placar, o técnico Hong Myung-Bo promoveu mudanças drásticas e chegou a sacar suas principais estrelas, Son e Lee Jae-Sung, mas o repertório sul-coreano continuou travado. O drama ficou guardado para os minutos finais, aos 41′, quando Cho Gue-Sung cabeceou firme em um cruzamento. O goleiro mexicano Tala Rangel operou um milagre absurdo e, mesmo caído, se recuperou para abafar o rebote nos pés do atacante, garantindo os três pontos e a festa mexicana em Guadalajara.

Liderança carimbada
Com 6 pontos, o México não pode mais ser alcançado por ninguém na liderança do Grupo A devido ao critério de confronto direto contra os sul-coreanos (que estacionaram nos 3 pontos). Os anfitriões agora cumprem tabela contra a República Tcheca e já sabem que jogarão as oitavas de final no dia 30 de junho, no místico Estádio Azteca, contra um terceiro colocado.
Ficha Técnica
- Escalação México: Rangel; Sánchez, Álvarez, Vasquez e Gallardo; Lira; Romo (Vargas) e Gutierrez (Pineda); Alvarado (Israel Reyes), Quiñones (Huerta) e Jimenez (Santi Giménez). Técnico: Javier Aguirre.
- Escalação Coreia Sul: Kim Seung-Gyu (Eom Jisung); Lee Hanbeom, Kim Min-Jae e Lee Gi-Hyuk; Moonhwan (Yang Hyunjun), Hwang In-Beom, Paik Seung-Ho (Cho Gue-Sung) e Seol Youngwoo; Lee Jae-Sung (Hwang Hee-chan), Lee Kang-In e Son Heung-Min (Oh Hyeon-gyu). Técnico: Hong Myung-Bo.
- Gols:
- México: Romo aos 4′ do 2º tempo.
- Árbitro: Gustavo Tejera (Uruguai).
- Cartões Amarelos: Lee Kang-In e Paik Seung-Ho (Coreia do Sul).
- Decisões críticas do VAR: Sem ocorrências graves; o árbitro de vídeo apenas validou o lance de gol checando a trombada normal entre o goleiro e o zagueiro sul-coreanos.
- Local: Estádio Akron (Estádio Guadalajara), Zapopan, Jalisco, México.
- Público: 45.522 presentes.