Menu fechado

O que somos depois de crescermos?

Uma pergunta muito comum na vida das pessoas, especialmente na infância e juventude é a famosa questão: “O que você quer ser quando crescer?”. Muitos respondem a esta pergunta de forma convicta. “Médico”, “Engenheiro”, “Astronauta” ou ainda um desconcertante – mas ainda convicto – “Não sei”.

A vida passa, crescemos e em muitos casos esta resposta muda de acordo com a vida que levamos. O mais comum é deixarmos esta pergunta no passado e nos preocuparmos com questões mundanas… as contas que temos que pagar, os prazos que temos que cumprir, as pessoas que temos que cuidar.

O fato é que com o passar do tempo, deixamos de nos preocupar com o que somos (ou seríamos) e passamos a nos preocupar com o que temos. Acontece que “ser” e “ter” estão em searas diferentes de nossa vida. Somos alguma coisa… Temos muitas coisas.

Ter – de modo geral – implica em posse ou responsabilidade de possuir. Extrapolando o conceito, podemos até pensar na responsabilidade de realizar alguma coisa. Mas e o ser? Responder a esta pergunta é de modo geral o que nos define social e profissionalmente.

“Sou pai”, “Sou médico”, “Sou operário”… a conjugação sempre no presente. Aquilo que nos define no presente momento. O verbo, quando conjugado no pretérito nos dá a ideia que não somos mais… deixamos aquilo para trás. Seja pela finitude da vida, seja por aquele momento estar no passado.

E com isso chegamos à minha reflexão insone… tenho a terrível sensação de estar no passado. Aquilo que me define ainda que conjugado no presente traz o passado à tona. E não me deixa viver o presente. E sou ex-estudante de medicina. Eu sou um funcionário público frustrado… Sou tantas coisas que não gostaria de ser. E aí fico pensando no que poderia ter sido, insistindo em trazer algo do passado para minha realidade do presente.

Um passado que existiu… mas que não foi deixado para trás. O fato é que o tempo passou, eu cresci e não segui em frente. Vivo buscando referências do que fui no passado. Que por erros e descaminhos não me levaram a ser o que eu planejei. E por causa disto vivo em um eterno ciclo de reviver o que eu fui. E com isso não consigo responder a uma simples pergunta: O que sou depois que cresci?

Fico com aquela resposta amarga… “Não sei”.

Deixe seus comentários

Publicado em:Crônicas,Noites de Insônia,Opinião

Conheça também...