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Feliz dia do… Professor?!

Hoje é 15 de outubro. E em meio a tantas datas comemorativas, mais uma para nosso combalido calendário. Sendo assim, feliz dia do… Professor?

Pequenas convenções sociais

Quem me conhece mais intimamente, sabe que eu não sou adepto das efemérides anuais. Comemorar o dia da árvore, o dia dos pais, o dia do historiador ou o dia do professor, são apenas convenções sociais.

Poderia justificar meu posicionamento, alegando que todo o dia é dia da árvore, todo dia é dia do índio e assim por diante. Mas só não gosto de convenções sociais, feitas de forma impositiva mesmo.

Pois bem, convencionalmente dia 15 de outubro ficou estabelecido como o dia do professor. E todos anos é a mesma coisa. Dessa forma, pessoas inundam as redes sociais com mensagens, foto montagens, vídeos, poesias, saudações e agradecimentos. Dito isso, eu também não sou adepto dessas práticas.

Pessoas inundam as redes sociais com mensagens, foto montagens, vídeos, poesias, saudações e agradecimentos
Pessoas inundam as redes sociais com mensagens, foto montagens, vídeos, poesias, saudações e agradecimentos

Chato? Impertinente? Cri-cri?

Poderia justificar meu posicionamento, alegando que a valorização do profissional através de um “reconhecimento” seria o ideal, que um aumento de salário seria mais importante ou ainda que ter um quadro descente (já que o da escola que trabalho é daqueles que só pode ser escrito com giz) é melhor que mensagens de apoio, mas só não gosto de convenções sociais feitas de forma impositiva mesmo.

Você leitor pode me achar um chato impertinente, mas não sou desses (eu juro), gosto de ver isso com um outro olhar…

Gosto de pensar no futuro das coisas. Na verdade penso no como vai ser daqui pra frente, quase que diariamente.

O Amanhã para a educação está nas mãos de quem?

Pensando nisso, vem à minha mente uma frase empírica, bem comum nos meios educacionais…

“A escola é uma instituição no modelo do séc. XIX, com profissionais no modelo do séc. XX, trabalhando com crianças no modelo do séc. XXI”.

José Pacheco, Educador
Adesivo provavelmente francês na contracapa desse livro.
Adesivo provavelmente francês na contracapa desse livro. DAVIDIS, Henriette; TRAINER, Theodore.
Kleines Kochbuch [Pequeno manual de cozinha]. Leipzig: Berlag von Belhagen, 1887

Por mais obvio que exista esse conflito de gerações, não se observa muitas mudanças no comportamento de nenhum dos modelos citados.

Se pensarmos que os professores fazem parte da educação (são integrantes), acredito que se possa fazer algo para mudar as perspectivas de ensino aprendizagem. Mas isso não pode ser uma atitude exclusiva dos docentes. Se faz necessário muitas mudanças, seja na escola, seja na universidade, seja nos pais, seja nos alunos, seja no governo, etc.

Mas quem vai começar a mudança?

Chegamos ao ponto central desse texto, todos os integrantes da educação, que são responsáveis por esta, precisam mudar, mas quem irá começar a mudança? Dessa forma, a espera pela mudança uns dos outros faz com que simplesmente nada aconteça.

Então, Professores esperam o poder público aumentar salário. Também, o governo espera pais mais participativos na educação dos filhos. Já os alunos esperam melhor metodologia dos docentes. Na Escola se faz necessário a realização de eventos para obter fundos para se manter sem depender do governo. Nesse momento, todo mundo espera, ninguém se move.

O que é ser professor?

Lendo uma mensagem sobre o dia do professor, percebi que depois de tantas frases prontas de Paulo Freire, Einstein, Clarice Lispector, o verdadeiro significado de ser professor não está escrito.

Talvez o real significado de ser professor
Talvez o real significado de ser professor

Para mim o que define nos dias de hoje o que é ser professor é a palavra “Esperar”.

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Publicado em:Amarelinhas,Crônicas

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