Todos os anos, as chuvas de verão são manchetes nos jornais do Brasil e do Mundo. Principalmente pelos desastres que elas ocasionam pegando a população “desprevenida” desde os anos de 1959. A música fala em águas de março, certo? Mas eu tenho a certeza de que são as águas de março… fevereiro… janeiro… abri…
É água que não acaba mais.
Eventos naturais que causam medo
Moro em uma cidade no sul do país (Criciúma/SC) e apesar do clima ser frio (no inverno), temos um verão bem quente também. Consequentemente, chove praticamente todos os dias. Chuva com trovões, raios e vento.

Sempre tive muito medo desses eventos da natureza.
Quando eu era um menino minha sensação era de que estes eventos eram tão rotineiros, a ponto de eu não me importar mais com eles. Hoje… são eventos – digamos – naturais. Quero dizer… o único problema que me causa as chuvas de verão é o alagamento da minha rua. Que se torna literalmente um rio.

Uma cidade ao lado de um rio
Devido a estrutura da minha cidade, que foi construída praticamente ao lado do rio, algumas ruas e praças inundam a ponto de ter lojas e prédios com barricadas moveis nas portas e vitrines (verdadeiras comportas).
Há pouco tempo atrás, era bem comum a movimentação das barricadas, feita pelos funcionários quando o céu começava a ganhar alguns tons de azul escuro.
O problema na cidade foi aparentemente resolvido, pois algumas áreas não inundam mais, outras ainda inundam, mas isso vai ser resolvido… ou não.
Isso dependeria da boa vontade do poder público e da capacidade dos engenheiros de criarem meios para drenar as vias que enchem de água. Ou seja, envolve dinheiro, recursos e muita boa vontade.
Cidade Lagoa
Esse problema, não é exclusivo da minha cidade. Cito o ano de 1959, data da música de Moreira da Silva, Cidade Lagoa, do disco O último malandro em que ele fala sobre as enchentes do Rio de Janeiro
Ali, ele escancara que o problema já é algo que ocorria “desde os tempos da vovó”. Ou seja, as pessoas são pegas desprevenidas por algo que acontece desde muito antes dessa música.
Esta cidade, que ainda é maravilhosa
Tão cantada em verso e prosa
Desde os tempos da vovó
Tem um problema vitalício e renitenteQualquer chuva causa enchente…
Não precisa ser toró
Basta que chova, mais ou menos meia hora
É batata, não demora, enche tudo por aíToda a cidade é uma enorme cachoeira
Que da Praça da Bandeira
Vou de lancha a Catumbi
Que maravilha, nossa linda Guanabara!Tudo enguiça, tudo para…
Todo o trânsito engarrafa
Quem tiver pressa, seja velho ou seja moço
Entre n’água até o pescoçoE peça a Deus pra ser girafa
Por isso agora já comprei minha canoa
Pra remar nessa lagoa, toda a vez que a chuva caiE se uma boa me pedir uma carona
MOREIRA DA SILVA em “Cidade Lagoa”
Com prazer eu levo a dona
Na canoa do papai
Mais chuvas… mais desastres. E mortes
Dessa forma, Ontem (09/04/2019) um destes “eventos naturais” causou morte e destruição. A cidade da vez foi Campos do Jordão, no interior de São Paulo. Pelo menos quatro pessoas morreram em consequência de deslizamentos após fortes chuvas registradas por lá. Lamentável.
Podemos ainda nos lembrar das enchentes de abril de 2019 no Rio de Janeiro. Na ocasião, o prefeito declarou que poderia ter agido de forma mais rápida, a defesa civil avisou que a chuva vinha em excesso. Pessoas mortas, doenças, desabrigados, a ciclovia Tim Maia caiu pela 4ª vez…
E a solução? Só se pensa nos problemas.
Vamos remar nessa lagoa
Diante do que fora exposto, tem-se a previsão de tempo para os próximos dias, cito o próprio Moreira da Silva:
“Por isso agora já comprei minha canoa, Pra remar nessa lagoa, toda a vez que a chuva cai…”.
MOREIRA DA SILVA