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Quando remoer o passado, faça isso sozinho

Noites de insônia são complicadas… ao mesmo tempo em que elas me fazem repensar algumas ideias, também me trazem lembranças. Nem sempre boas, nem sempre ruins, mas que com certeza deixaram marcas em minha vida.

Hoje estou sozinho por aqui… esposa e filhas longe de casa evitando a pandemia. Minha companhia são meus gatos e meu cachorro. Além é claro, dos meus pensamentos. E sobre o que ando pensando? Bom… passado e futuro. Estava aqui no escritório arrumando alguns papéis. E então me deparei com aquela velha carta datada de 2002. O timbrado da UNICAMP não deixa dúvida quanto à origem.

Um fantasma do passado vez ou outra reaparece para lembrar dos meus erros
Um fantasma do passado vez ou outra reaparece para lembrar dos meus erros

Pode parecer incrível, mas rever este papel ativa uma série de outras lembranças ruins. Lembro que eu poderia ser mais focado nos estudos para não chegar a este ponto. Lembro dos amigos que tentaram desesperadamente me trazer para o mundo real. Eu lembro das manobras que precisava fazer permanecer ali. Em compasso de espera.

E lembro de como tudo deu errado a partir de então…

Requentando uma história batida

Sim… já requentei e revirei este defunto por aqui. Nem tudo deu errado. Mas a lembrança que fica é só o aspecto negativo. E aí é que a solidão aumenta… porque eu já contei tudo isso. Para minha esposa, para meus amigos de confiança, para minha psicóloga no período em que fiz terapia. E até mesmo aqui no UBQ em minha crônicas.

Não tenho mais ninguém para quem eu possa recorrer e contar esta história. Não tenho ninguém para me aproximar e falar “olha… eu tenho esta grande mácula em minha vida e eu simplesmente não consigo superá-la. Será que você pode me ajudar com isso?”

Eu não consigo esquecer… eu não consigo ir em frente… e me sinto absolutamente sozinho nos momentos em que tudo isso se reaviva em minha mente.

Jogue fora

“Jogue fora esse papel!”, tenho certeza de que muita gente que chegou até aqui pensou nisso. Eu também já pensei. E admito que não tenho nenhuma explicação racional para justificar a razão porque nunca fiz isso.

Sei que sozinho aqui, com meus gatos por perto pedindo um pequeno carinho eu não consigo virar a página. E sei que enquanto não virar a página permanecerei sozinho. Porque ninguém aguenta mais isso… nem eu.

Acredite… nem eu.

Estou olhando em volta… continuo absolutamente sozinho.

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Publicado em:Crônicas,Noites de Insônia,Opinião

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