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Existe a necessidade de sempre me posicionar?

Por algumas vezes, sou chamado por instituições de ensino, para falar sobre direito com os alunos. Apesar de atuar na área, não sou especialista em nenhuma área específica da advocacia. Ao fim das aulas, sempre aparecem alguns questionamentos, sobre qual a minha posição sobre tal assunto? Enquanto penso em uma resposta, fico me perguntando: Existe a necessidade de me posicionar?

Conceito de Opinião
Conceito de Opinião

Os “Opinadores Profissionais”

Em um passado não muito distante, era comum, em jornais impressos ou até mesmo televisivos, a existência de colunistas de opinião. Geralmente, esses jornalistas (ou algo próximo a isso), têm opiniões fortes, convicções religiosas e políticas que representam a vontade e a voz de uma certa camada da população.

Quase sempre, falam sobre política, sobre segurança pública, sobre educação e costumes. Sempre com tom agressivo e com soluções “fáceis” para tudo o que acontece de errado.

O Jornalismo Opinativo
O Jornalismo Opinativo

Quando a internet se popularizou, a opinião saiu das mídias tradicionais e foi para os canais de comunicação dos “jornalistas de opinião”. Nesse contexto, surgiram também, centenas de outros “opinadores profissionais”, com discursos diferentes, opiniões diferentes, e representando a voz e a vontade de grupos diferentes. Nesse novo contexto, o que vale é o engajamento, a repercussão e qual o número de seguidores. Gerando mais visualizações e mais patrocínio.

O bom e velho Marketing Digital para redes sociais.

Os “especialistas” da Internet

Com a busca incessante por público, os “especialistas” da internet começam a dar pitaco em tudo, muitas vezes incentivado pelo próprio público. As pessoas querem ouvir a opinião de sua “pseudo-celebridade” favorita. Principalmente, querem ver um comentário sobre algo que aquele influenciador não faz ideia do que está falando, mas repete o discurso de outro influenciador, que também não sabia que estava falando… e assim sucessivamente, num ciclo vicioso da mais pura e qualificada ignorância.

Assim como uma flecha atirada, a opinião não volta ao ponto de partida. Isso gera consequências. Pode ser o famoso cancelamento das redes sociais, ou a demissão do emprego, ou ainda a ridicularização social ou até coisas piores, como violência, suicídio e tornar aquela pessoa um mito. Toda essa loucura ocorre pela necessidade que as pessoas tem de ouvir sua opinião.

Qual a sua opinião sobre a Maioridade Penal?

Qual a sua opinião sobre as eleições nos EUA?

Existe “Estupro Culposo”?

E se eu ficar em silêncio?
E se eu ficar em silêncio?

E se…

Fico pensando… e se eu ficar em silêncio? Nesse caso, O silêncio presume consentimento, isso então é o pior dos mundos. Se eu não quero ter opinião alguma, então, automaticamente eu compactuo com o que está errado. Quando alguém não fala nada, significa que essa pessoa tem praticamente, uma tatuagem testa, com a seguinte escrita: “Sou Homofóbico, Machista, Racista, Legalista, Abortista, Maconheiro, Santanista, Funkeiro…”.

Haja testa para tantos adjetivos…

Não ganho a vida dando minha opinião por aí. Na verdade, acredito que passaria fome se dependesse disso, pois geralmente, tenho opiniões pautadas na cautela e na ponderação. Para as redes sociais, pelo menos atualmente, o meu estilo de posicionamento é completamente irrelevante. Mas é relevante para a sociedade em si e isso é o mais importante.

Minha opinião é que não tenho opinião...
Minha opinião é que não tenho opinião…

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Publicado em:Amarelinhas,Crônicas,Opinião

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