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A história de uma família

A adolescente Ruby se matricula no coral da escola na verdade mirando um paquera. Acaba descobrindo que pode cantar, e bem, no que concorda seu professor. Ele se empolga tanto que resolve prepará-la para ser aceita numa prestigiosa faculdade de música.

Tudo correria bem se ela não fosse uma CODA – aliás o título original do filme – que quer dizer Children Of Deaf Adults, ou Filha De Adultos Surdos. Por ser a única que pode ouvir em sua família (e daí não só falar como cantar com desenvoltura), tem-se aí o conflito. Ruby vai sair para o mundo levando sua música ou continuará Ruby no empreendimento do pai – um pequeno barco pesqueiro, onde ela faz as vezes de intérprete perante aos outros pescadores e à empresa que compra os peixes?

CODA – O ritmo do coração

Ruby aliás é a ponte entre sua família e o mundo no tocante à comunicação, e assim vivem até que ela desabrocha para o canto. O filme vai no processo conflituoso dela mas no fundo a gente sabe o que vai dar. “No ritmo do coração” é desses filmes em que as questões vão se resolvendo com leveza mas ao mesmo tempo com recursos cênicos muito interessantes, como na solução encontrada para mostrar como a família de Ruby se sentiu vendo (o verbo é esse mesmo) o recital do colégio.

A família dela é um show. O casal de pais e o irmão mais velho, todos surdos na vida real, são uns figuraças – notadamente o pai, interpretado por Troy Kotsor e que levou o Oscar de Ator Coadjuvante. A atriz que faz a mãe também recebeu: Marlee Matlin ganhou de atriz em 1986 por “Os filhos do silêncio”, onde inclusive contracenou com o recém falecido William Hurt.

Percebam que a temática da surdez nem é nova em Hollywood. Ano passado mesmo concorreu a várias categorias, “O som do silêncio”, onde um baterista de rock vai perdendo a audição aos poucos. A diferença é que em “No ritmo do coração” a surdez é um recurso dramático para se contar uma história, não o drama em si. As discrepâncias com a linguagem de sinais, muito usada no filme, notadamente quando faladas por não – surdos, rendem risadas.

No fundo é a busca de Ruby e de sua família para encontrar, como dito no verso da música que ela canta na prova da Faculdade de Música, as duas faces do amor: a de dar e a de receber.

Serviço

“O ritmo do coração” (“CODA”, EUA, Canadá e França, 2021.) Direção e Roteiro : Sian Heder. Com Emilia Jones; Troy Kutsur, Eugenio Derbet e outros. Vencedor do Oscar 2022 nas categorias de “Melhor Filme”, “Roteiro Adaptado” e “Ator Coadjuvante”. Disponível na Amazon Prime Video e no Apple TV+.


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Publicado em:Opinião,Sem Pipoca

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