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Sonic Youth: “Experimental Jet Set, Trash and No Star”

Buenas! A resenha de hoje é sobre o álbum “Experimental Jet Set, Trash, and No Star” da banda Sonic Youth. Estamos prontos?

Revisando meus “clássicos pessoais”

Ultimamente ando numa neura revisionista. Tenho ouvido muita coisa que ouvi a vida toda e que há tempos (e também graças a minha neofilia) tinha deixado de lado.

Não que tenha deixado de gostar. Longe disso… Só passei a dar mais atenção para as novidades. Porém, esses meus “clássicos pessoais” jamais deixarão de ter o seu devido espaço na minha discoteca obrigatória. E é sobre um deles que falaremos hoje.

A banda Sonic Youth

Sonic Youth pode ser definida banda novaiorquina pra lá de experimental e atípica. É uma das bandas que mais abalaram a minha percepção e entendimento sobre como construir e executar canções. Simplesmente viraram meus ouvidos do avesso.

A banda novaiorquina Sonic Youth
A banda novaiorquina Sonic Youth

Fundada em 1981, inspirou-se nas sinfonias de guitarra de Glenn Branca (com o qual boa parte da banda já tocou), no proto-punk de The Stooges, The Velvet Underground e MC5, na poesia punk de Patti Smith, o Krautrock de Can, o psicodélico garage rock do 13th Floor Elevators, assim como compositores avant-garde, como John Cage.

Outro dos diferenciais dos caras é que a banda é aclamada por redefinir o que uma guitarra pode fazer. Conseguiram isso utilizando uma variedade de afinações alternativas, modificando o instrumento, com objetos inusitados: como baquetas e chaves de fenda como forma de alterar seu timbre.

Objetos inusitados para mudar o som das guitarras
Objetos inusitados para mudar o som das guitarras

A banda desde então é capitaneada pelo guitarrista/vocalista genial e maluquete de carteirinha, o Sr. Thurston Moore e tem como eternos e fiéis escudeiros desde então, a baixista Kim Gordon e o insano, o guitarrista/vocalista Lee Ranaldo.

A princípio, contavam com o batera Bob Bert que fora substituído em meados dos anos 80 pelo constante e econômico, porém fantástico Steve Shelley.

Não dá pra citar obras avulsas dos caras. Tudo o que lançaram é de uma qualidade pra lá de absurda. Desde as experimentações da série SYR, até a trilha sonora de filmes, passando por cover dos Carpenters (ecletismo barulhento).

Mas como a discografia dos caras é pra lá de extensa vou falar sobre o primeiro disco que escutei deles e um dos meus preferidos. Embora alguns torçam o nariz para esse discaço.

O menosprezado, “Experimental Jet Set, Thrash and No Star”

Um disco com nome longo e também com uma longa história
Um disco com nome longo e também com uma longa história

Esse disco, de 1994, veio cheio de expectativas por parte da crítica e do público. Afinal, veio na sequência do hypado “Dirty” que contava com algumas de suas mais fantásticas canções. Como por exemplo, “Sugar Kane”.

Posso falar em nome de alguns ouvintes, sobre a bolacha. Como foi o primeiro disco que ouvi dos caras, a minha primeira impressão foi de total estranheza. Nunca, até então, ouvira algo tão exótico a ponto de hipnotizar-me do começo ao fim da audição.

Fiquei extasiado com a construção das músicas. Os riffs fugiam do óbvio. Era proporcionalmente contrário ao que eu escutava na época (basicamente Ramones). Cheio de guitarras, efeitos, muitos efeitos, distorções, dissonâncias, ruídos, barulhos e aquelas vozes que pareciam ter nascido na minha cabeça de tão natural que me soavam.

Ouvindo esse disco, descobri que barulho era música sim, e que era um elemento a ser respeitado.

Começa com a hipponga e folk “Winner’s Blues”, até então, só a voz cheia de efeitos me causava estranhez. Mas quando entra na sequência “Bull in the Heather”, meu queixo caiu. E desde então o rock’n’roll pra mim não fora mais o mesmo.

Que sonzeira! Que estranha! Que simples… como podiam ser tão diferentes e geniais ao mesmo tempo que soavam tão toscos? Aqui o Lo-Fi passa a fazer sentido.

Uma experiência que passa do simples ao primoroso

O disco todo é “estranho” e hipnótico, passando por músicas tão díspares como “Androgynous Mind”, “Tokyo Eye” que tinha a voz de Moore sussurrada no vocal, o que para quem crescera ouvindo bandas onde o vocal era principal premissa, era incabível e fascinante.

O disco fecha com“Sweet Shine” que tem Kim Gordon no sue auge vocal fechando o disco de maneira poderosa.

Lembro da cara de “ué” que eu fiquei ao final da primeira audição desse discaço. Estávamos na porta da casa de um grande amigo, com outros amigos em comum ouvindo essa “novidade” em fita K7.

Acho que fiquei uns 5 minutos sem falar absolutamente nada. Os caras olhando pra minha cara de incrédulo esperando o meu veredito. Até então, só eu ainda não os tinha ouvido.

E o que eu achei de “Experimental Jet Set” da banda Sonic Youth?

Só me lembro de ter conseguido soltar um sonoro “puta que o pariu, que foda!”. Tomei a fita de um dos meninos e tirei a minha cópia.

E desde então, Experimental Jet Set da banda Sonic Youth virou um dos discos de cabeceira na minha discoteca básica. Simplesmente desafiador, fora da zona de conforto, mas genial.

Logo menos tem mais.

Uma última coisinha…

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