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Uma Corte de Asnos

Uma corte de asnos

A gente já entendeu que o Supremo não tem jeito mesmo. Muito disso vem do fato de os Ministros saberem que tem que julgar mais de trinta mil processos que estão encalhados.

Outro muito disso vem do fato de os Ministros ignorarem solenemente que tem que julgar mais de trinta mil processos que estão encalhados. Se sentissem o peso do encalhe nos ombros não passariam horas para desferir os votos que lhe competem.

Uma medida para amenizar a questão

Eis um paliativo: cinco minutos para cada voto. Os doutos ministros na hora do voto postariam seus looongos votos no site, entregariam uma resma ao Presidente da Sessão, sei lá!

Mas na hora de ler o voto, peloamordedeus, que leiam um resumo! Em cinco minutos dá para falar um monte, mas um monte de coisa. Dá para o Fux exibir seu cabelo laqueado e sua gravata com nó quadrado num colarinho sem bico.

O Marco Aurélio poderá inventar umas três teses do contra. Gilmar Mendes poderá xingar uns oito promotores. A Carmen Lucia pode nos assombrar bastante, e por aí vai…

Só não dá para o Celso de Melo. Para ele bastariam trinta segundos – para nós bastariam dez segundos de fala do Decano para dar diarreia. O ideal seria que ele apenas levantasse o polegar para cima ou para baixo para votar respectivamente a favor ou contra – ou o contrário, tanto faz.

Façamos as contas…

São dez ministros votantes (o presidente só vota para desempate), cada um votando por cinco minutos. Já se vão cinquenta minutos. Não chega? Seria igualmente um show de velhacaria, compadrio, estupro do Direito e vaidade. Podemos começar diminuindo esta última.

A composição do Supremo é, como todas as composições de todos os Poderes da República, a nossa cara. Nós não votamos nos Ministros – talvez nem devêssemos – mas eles são escolhidos e sabatinados por aqueles em quem votamos, numa lógica que sempre favorecerá a escolha de asnos, nunca de cavalos.

Entenda-se: um Ministro do STF pode ser um transtorno ou um aliado. A tendência é que sempre se coloque um aliado que leve o projeto de poder do mandatário que o indicou e, por que não, dos senadores que o referendaram, e não um arrivista qualquer que munido da idônea espada justiceira jogue areia nos planos da Situação.

Em resumo… uma corte de asnos

Segue-se o mote da Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente, onde se ouve “mais vale asno que me carregue do que cavalo que me derrube.”

Que os Asnos dessa Corte votem por cinco, nada mais que cinco, pode ser até menos que cinco minutos…

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