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Bia Doxum e o álbum Àtúnwa

Buenas! Esta é a última resenha de 2019 e como não poderia deixar de ser, mais um disco que facilmente caberia na nossa lista de melhores de 2019. Com vocês, Bia Doxum e o álbum Àtúnwa.

Sempre é bom sair da zona de conforto

Desde que comecei a escrever sobre música a minha base sempre foi o Rock’n’Roll. Algumas raras vezes, surgiram artistas que me fizeram sair da zona de conforto ao escrever sobre estilos que eu não tenho o hábito.

Neste ano, isso aconteceu muitas vezes. O Rap foi o estilo que mais tem me tirado do meu padrão sonoro e estético. O bom gosto de alguns novos artistas desse estilo, me fizeram ter uma nova concepção de quão bacana pode ser o Rap.

Sim, o Rap caiu nas minhas graças e hoje faz parte de quase todas as minhas Playlists.

O último “Disco da Semana” de 2019 caiu no meu colo assim, aos 45 minutos do segundo tempo. Só digo uma coisa: que golaço!

Bia Doxum

A cantora Bia caracteriza seu trabalho pelo intenso esmero e extremo bom gosto. O trabalho dela, tem bases concisas, que unem de maneira cirúrgica o passado e o presente. Cria algo novo… uma simbiose do tempo em forma de música.

Dona de uma voz singular, suas letras quase sempre falam do cotidiano e da dificuldade de ser mulher, negra e periférica. Suas composições soam de uma forma leve, transmitindo uma calmaria que acalanta. E ao mesmo tempo, o som transmite uma forma de resistência e de empoderamento que são as marcas registrada de mulheres que sabem o que querem.

Bia Doxum une o sagrado ao moderno para fazer um álbum único.
Bia Doxum une o sagrado ao moderno para fazer um álbum único.

Mulheres como ela sabem muito bem, qual o recado querem passar e como dar o esse recado sendo direta, sem perder a ternura.

O álbum ÀTÚNWA

Baseado no conceito vindo da cultura Yorubá, ÀTÚNWA significa: “Aquele ou aquela que volta novamente”, Bia lança seu segundo disco, uma segunda vinda cheia de estilo, de boas canções e com muita coisa pra falar.

O álbum enaltece a cultura de Matriz Africana, onde as músicas trazem elementos regionais que enfatizam as lutas feminista, racial e juvenil. E com isso, dá voz a quem geralmente não é ouvido.

As faixas do álbum, transpiram africanidade. Estão presentes elementos como: o sagrado, os rituais, os sons e as texturas que nos remetem à religiosidade da artista.

Importante ressaltar que não se trata de um disco ritual. Tudo combina o sagrado com o mundano, o ritual com a modernidade. Tambores e batidas são sampleados e se amalgamam com o que há de mais moderno, criando uma sonoridade única.

Capa do álbum Àtúnwa
Capa do álbum Àtúnwa

Produzido de maneira independente e servindo como cama pra seu discurso de teor poético, o disco conta com um time de produtores pra lá de talentosos: Bad Sista, DJ DIA, Vibox, Heron Francelino, Kleber Milo, Gibin, Vinni OG Beats e DJ Higa. O trabalho de unir e mixar e masterizar essa colcha de retalhos sonoros fica a cargo de Base Mc do RefugiAudio Estúdio.

Um disco gostoso de ouvir do começo ao fim. Clássico e contemporâneo. Estou ansioso pra ver esse “discaço” ao vivo.

Desejo que este não seja o último álbum de Bia Doxum e que ela possa “Àtúnwa” por muitas e muitas vezes. Axé!

Logo menos tem mais.

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Publicado em:Disco da Semana,Música

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